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Gullar: o aluno que mais nos ensinou!

  • por José Oliveira, historiador e professor do IFMA. Fotos: CPdoCJB, Edições de Janeiro e Marcelo Magalhães.
  • publicado 09/12/2016 16h15
  • última modificação 09/12/2016 21h33

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Nascido em 10 de Setembro de 1930, José Ribamar Ferreira, teve uma infância livre, costumava vagar pelas ruas da velha cidade, e quando a sede batia, dirigia-se até a fonte do Ribeirão para saciar-se nas águas límpidas que ainda hoje jorram pelas carrancas.

Em 1944, aos 14 anos, quando ainda era conhecido como Ribamar Ferreira, ingressou no Curso Industrial, nossa escola ainda se chamava Escola Técnica de São Luís, apesar de não haver literatura no currículo, ali o poeta descobriu-se escritor. Na escola, leu num jornalzinho um soneto escrito por um dos alunos, a partir dali acreditou que também poderia escrever.

O primeiro texto que ufana-se de ter escrito foi também na Escola Técnica, uma redação sobre o dia do trabalho, tirando nota 95, o texto seria lido pela diretora na frente de toda a turma. Nas palavras de Gullar (2012) “Só não ganhei 100 porque havia erros de português. Ao ouvir isso da professora decidi estudar gramática para valer. Foi quando achei que seria escritor.”

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Formou-se em 1947, no ano seguinte, já era locutor da Rádio Timbira, somente a partir dali rebatizou-se como Ferreira Gullar, adotando um pseudônimo inspirado no sobrenome da mãe Alzira Goulart, por conta de uma confusão com um homônimo que publicou um poema assinando como Ribamar Ferreira, no Diário de São Luís, tendo muitas pessoas associado o poema ao jovem locutor, que tratou de esclarecer no rádio, que não tratava-se dele e sim de uma outra pessoa, a partir de então anunciara que daquele momento em diante, passaria a assinar seus textos com o  pseudônimo  de Ferreira Gullar.

Em 1949 publicaria o seu primeiro livro de poesia  Um pouco acima do chão, mais tarde considerado pelo poeta um livro “ingênuo.”  Em 1951 muda-se para o Rio de Janeiro onde publica em 1954 a luta corporal seu segundo livro, obra que revolucionaria a morfologia da poesia tradicional. Para o editor Paulo Verneck, o livro “foi a fagulha de um novo tipo de escrita que nos anos seguintes mudaria as noções tradicionais de verso, pagina, livro de poesia – em resumo a própria poesia, tal como entendíamos até então.”

Em 1963 ingressa no Centro Popular de Cultura da UNE (União  Nacional dos Estudantes), quando a sua produção assume uma nova postura, muito mais social e política, naquele momento  passa a produzindo uma arte engajada.

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Os homônimos marcaram profundamente a vida de Gullar. Por ter um nome muito comum no Maranhão, José Ribamar, mais uma vez, durante o regime militar, foi confundido com outro Ribamar, um líder camponês. Nesse momento, passou a viver na clandestinidade, escondido na casa de amigos por meses no Rio de Janeiro até conseguir sair do País com sua família,  passando a viver em países como  Chile, Peru e Argentina. Ainda nessa dolorosa experiência escreve a sua obra de maior consagração ainda no exílio, o Poema sujo, em 1976. Obra considerada símbolo da resistência a ditadura. Um poema memória, onde recorda parte de sua experiência de vida em São Luís revirando as suas “gavetas perfumadas de passado.”

Em 1977, volta ao Brasil, quando os vultos da anistia possibilitou o seu retorno. Nos anos 80 e 90 trabalhou na Globo como roteirista, paralelamente publicando livros, realizando  traduções e escrevendo crônicas.

Em 2005, quando completara 75 anos, pelo conjunto de sua obra, recebeu o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras. Dois anos depois como o seu livro Resmungos ganhou  o premio Jabuti de Literatura concedido pela Câmara Brasileira do Livro. Em 2010 recebe a mais alta premiação da língua portuguesa o Prêmio Camões. Em 2014 depois de muita resistência resolve entrar para a  Academia Brasileira de Letras.

Gullar foi um apaixonado pela sua terra, com sua alma de poeta costumava dizer que duas coisas singularizava São Luís, a textura da luz que pairava sobre a cidade,  e a sonoridade dos ventos. A vida de Gullar é certamente um discurso inspirador, que nos enche de orgulho em saber que ele um dia fez parte de nossa escola, esperamos que sua poesia continue a existir em nossa alma e se propague na  vida de todos os nossos alunos.

 

José Oliveira

Historiador e Professor do IFMA

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