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IFMA planeja internacionalizar produção científica

  • Augusto do Nascimento
  • publicado 14/09/2015 16h00
  • última modificação 15/09/2015 07h59

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Natilene Brito, Roberto Brandão, Alex Oliveira e Virgínia Carvalho debatem sobre internacionalização da pesquisa maranhense

Natilene Brito, Roberto Brandão, Alex Oliveira e Virgínia Carvalho debatem sobre internacionalização da pesquisa maranhense.

Após consolidar o processo de expansão do ensino técnico de nível médio e da educação superior em diversos municípios do estado, o IFMA se volta a horizontes internacionais. Com 26 campi em funcionamento e outros três em processo de implantação, o Instituto destacou-se pela interiorização do ensino em várias regiões maranhenses, ampliada pelos cursos de extensão e educação a distância oferecidos em polos, núcleos e outros pontos de presença. A tendência agora é promover a pesquisa produzida pela comunidade acadêmica através do intercâmbio com centros de excelência de outros países.

“O intercâmbio com profissionais das instituições [estrangeiras] motiva o professor pesquisador do Instituto a conhecer a realidade de outros países”, disse o reitor Roberto Brandão, considerando que as parcerias possibilitarão ainda a vinda de pesquisadores estrangeiros ao Maranhão, a fim de ampliar o potencial de produção acadêmica local. O IFMA mantém atualmente convênios voltados ao desenvolvimento de projetos de pesquisa com 20 instituições no Canadá, Estados Unidos, Portugal, Inglaterra, França, Irlanda, Finlândia e Uruguai.

Virgínia Carvalho, chefe da Assessoria de Relações Internacionais (Arint), destacou que os acordos de cooperação com os centros de pesquisa europeus vêm sendo estabelecidos a partir de missões institucionais do IFMA, com o objetivo de estreitar os laços entre pesquisadores para o desenvolvimento de projetos conjuntos. “O mundo é realmente uma aldeia global, e a internacionalização hoje está sendo imposta. Sentimos a necessidade de estender os laços e buscar conhecimento, inovação e soluções para os problemas”, disse a assessora, observando serem atualmente comuns as notícias sobre projetos realizados pela parceria entre pesquisadores de diferentes nacionalidades. Segundo ela, essa realidade resulta de um cenário propício de encurtamento das distâncias entre os países, provocado pelas evoluções tecnológicas principalmente no campo das telecomunicações e da informática.

Pesquisador protuguês João Augusto Tomé visita laboratório de química no Campus Monte Castelo

Pesquisador português João Augusto Tomé visita laboratório de física aplicada no Campus Monte Castelo

Seguindo essa tendência de relações globais, a Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (PRPGI) promoveu o Fórum de Internacionalização da Pesquisa no IFMA, realizado de 19 a 21 de agosto, com a participação dos pesquisadores João Augusto Tomé, da Universidade de Aveiro (Portugal), e Dario Vieira, da francesa École d’Ingénieur généraliste em Informatique et Technologies du Numérique (EFREI). Ambos apresentaram aos docentes do Instituto as atividades e linhas de pesquisa de suas instituições, e visitaram laboratórios das áreas de Química, Física, Engenharia de Materiais e Informática no Campus Monte Castelo.

Para o pesquisador português, o próximo passo é que os cientistas de ambas instituições comecem a desenvolver projetos de pesquisa conjuntos. “Esperamos que os resultados das investigações apareçam a breve prazo”, disse João Augusto Tomé, que afirmou considerar promissora a iniciativa da PRPGI, e se mostrou positivamente impressionado com as condições estruturais dos laboratórios e equipamentos, bem como com a formação dos pesquisadores do IFMA.

Campi

O chefe do Departamento de Física do Campus Monte Castelo, Joaquim Melo, considerou que a internacionalização aumenta a competitividade do Instituto, que passa a ser reconhecido pelo trabalho global, e não apenas pelo resultado de pesquisas realizadas individualmente. “Essa iniciativa é oportuna e necessária para nos colocar em posições privilegiadas nas instituições de pesquisa públicas brasileiras”, considerou o professor, avaliando que o convênio com instituições estrangeiras de referência contribui para que o IFMA atenda a uma série de requisitos exigidos pelas comissões de avaliação do Ministério da Educação (MEC), além de resolver problemas de ordem estrutural para manter a produção de alto nível no campo científico.

Nas unidades do interior do estado, os efeitos também se fazem sentir. Mariano Rojas, chefe do Núcleo de Pesquisa do Campus Codó, destacou que as iniciativas de internacionalizar a pesquisa levam a uma mudança de mentalidade e dinamizam o intercâmbio de experiências para além das atividades de ensino, já que os pesquisadores passam a executar projetos de criação de produtos e processos capazes de gerar emprego. Representante do Instituto nas instituições de pesquisa canadenses conveniadas, o pesquisador informou que estudantes codoenses vêm constituindo pequenas empresas de inovação e transferência de tecnologia a partir dos próprios projetos de pesquisa, favorecendo a geração de empregos e o empreendedorismo local.

Novos horizontes

Para Alex Oliveira, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Maranhão (Fapema), as ações para internacionalizar a produção científica e tecnológica são uma realidade em todo o país, e se iniciaram com pesquisadores que buscavam universidades no exterior para realizar mestrado e doutorado. Segundo ele, as atuais possibilidades de intercâmbio alcançam inclusive as bolsas de pesquisa oferecidas a estudantes de graduação. No IFMA, 268 estudantes já participaram do programa Ciência sem Fronteiras, desde 2011.

“Nossos pesquisadores se posicionam no cenário internacional não apenas para buscar um conhecimento de ponta que não têm, mas para discutir sua produção científica de igual para igual”, disse ele, considerando como fator importante nesse contexto a mudança do papel do Brasil nas relações internacionais nos últimos dez anos. Alex Oliveira ressaltou o reflexo desse processo no desenvolvimento socioeconômico maranhense, pois os pesquisadores regressam ao estado e agregam conhecimento e inovações ao processo produtivo local, desenvolvendo setores e gerando trabalho e renda.

Pós-graduação

Segundo o pró-reitora de pesquisa do Instituto, Natilene Brito, as ações de intercâmbio científico internacional fazem parte de um planejamento mais abrangente, de tornar a instituição um centro de inovação reconhecido. O foco é propiciar aos professores o aprimoramento da produção científica, ampliando o programa de pós-graduação, pois hoje o IFMA conta com um único curso de mestrado (Engenharia de Materiais). No entanto, há planos de elevar a oferta de cursos de pós-graduação às áreas de Química, Física, Engenharia Mecânica, Informática e Engenharia Elétrica.

“O programa de internacionalização é uma ação mais imediata para elevar rapidamente a produção [dos grupos de pesquisa, em um período] de 12 a 24 meses”, disse Natilene Brito, informando que nos últimos anos as propostas dos grupos de pesquisa para a abertura de novos cursos de mestrado foram recusadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), com a justificativa de que os docentes não tinham produção suficiente. Para sanar essa lacuna, a PRPGI está elaborando edital no valor de R$ 500 mil, para o financiamento de pesquisas com parcerias internacionais.

CRT

De acordo com Natilene Brito, o IFMA planeja ainda uma iniciativa de longo prazo, de construir o Centro de Referência em Tecnologia (CRT), dotado de laboratórios multidisciplinares, para que cientistas de todos os campi realizem pesquisas de ponta e elevem a produção acadêmica. O projeto preliminar é formado por dois blocos interligados, cada um com dois pavimentos, e foi apresentado pelo arquiteto Nonato Corrêa, chefe do Departamento de Projetos da Diretoria de Infraestrutura (Dinfra), durante o Fórum de Internacionalização. A pró-reitora esclareceu que os pesquisadores do Instituto serão convidados pela PRPGI para aprimorar o projeto inicial, apresentando sugestões de utilização da estrutura e definindo as áreas prioritárias a serem contempladas com a estrutura dos futuros laboratórios.

O professor Emílio Azevedo, chefe do Departamento de Química do Campus Monte Castelo, argumentou que os institutos federais distinguem-se das universidades por promoverem principalmente as ciências aplicadas, interagindo com o setor industrial, e a construção do CRT poderá causar um impulso efetivo à pesquisa no Instituto. “Não é possível um país ou um estado se desenvolver sem ciência e tecnologia, mas como podemos fazer pesquisa sem uma estrutura adequada?”, questionou.

“Este Centro vai motivar a melhor produção da pesquisa aplicada, a extensão tecnológica e a inovação no IFMA, para que possamos atender bem à sociedade”, disse o reitor Roberto Brandão, destacando que diferentes segmentos sociais e econômicos se beneficiam dos avanços tecnológicos. O reitor considerou ainda que a estrutura do CRT vai estimular o trabalho de muitos pesquisadores com grande potencial de produção científica, em todos os campi, que não encontram condições favoráveis para realizar pesquisas de ponta.

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