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Pesquisa revela problemas na travessia São Luís-Alcântara

A pesquisa foi desenvolvida pelo professor do IFMA Campus Alcântara, Gairo Garreto, no mestrado em Turismo e Hotelaria da Univali-SC
  • Andréia Lima e Mariela Carvalho
  • publicado 29/01/2016 14h24
  • última modificação 29/01/2016 14h31

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Idoso usando Iate no cais da Praia Grande

Geralmente as embarcações realizam a travessia com um número intenso de passageiros e sem as condições de segurança adequadas

Com a pesquisa “O transporte marítimo como limitador do turismo em Alcântara”, o engenheiro mecânico e professor de Segurança do Trabalho do Instituto Federal do Maranhã (IFMA) Campus Alcântara, Gairo Garreto, revelou diversos problemas enfrentados pelas pessoas que realizam a travessia São Luís-Alcântara. Entre os dados analisados Gairo destacou: a infraestrutura portuária e das embarcações; a geografia marinha da baía de São Marcos; e as condições de ondas e ventos da baía. O trabalho é resultado da pesquisa de conclusão no mestrado em Turismo e Hotelaria da Universidade do Vale do Itajaí (Univali-SC) realizada professor no final de 2015.

O professor Gairo Garreto explica que a metodologia da pesquisa foi realizada a partir de bibliografia e documentos relacionados ao turismo; questionários respondidos pelas empresas que fazem a travessia e seus respectivos usuários; entrevistas qualitativas realizadas com os turistas que realizam a travessia; além da observação pessoal do pesquisador e seus registros fotográficos. “Eu já trabalho há 11 anos em Alcântara, então realizo esse percurso constantemente, e pude observar que as embarcações não oferecem acessibilidade, nem segurança ou qualquer tipo de conforto para seus usuários, além de estarem sempre lotadas”, explica.

Infraestrutura portuária e das embarcações e acidentes geográficos

box materia alcantaraA pesquisa aponta sérios problemas na infraestrutura portuária em São Luís e Alcântara. Segundo o pesquisador, a construção de concreto de meados do século XIX do Cais da Praia Grande não se adequa às variações de maré de até 7 metros que existem atualmente. “Eu tenho uma Carta Náutica de 1800 que mostra que a maré mais baixa ali no cais tinha profundidade de 3 metros. Hoje não há profundidade nenhuma. Assim, só se pode navegar por lá se a maré estiver alta. O processo de assoreamento também está limitando a navegação, então vai chegar um ponto que o cais provavelmente não será mais utilizado”, revela o professor. Em Alcântara, apesar do Porto do Jacaré possuir uma estrutura moderna com cais flutuante, o local está comprometido com a oxidação e a danificação de parte de sua construção.

Já a infraestrutura das embarcações encontra-se totalmente defasada, já que o modelo utilizado hoje possui tecnologia do século XVII, que é adequada para transporte de cargas. O que houve foi uma adaptação para o transporte de pessoas. “Essas embarcações não foram feitas para transporte de pessoas, mas atende aos critérios mínimos da Normam 02 de segurança de navegação interior: extintor de incêndio, colete de salva vidas, assento para as pessoas, etc. O problema é que por serem adaptadas elas não conseguem oferecer tudo o que poderia se chamar de critérios de segurança para todos que estão ali trabalhando ou fazendo a travessia”, destaca Gairo Garreto.

O estudo detalha também a peculiaridade da geografia local que complica a navegação e pode causar acidentes. “Hoje o processo de assoreamento está aumentando à medida em que as embarcações se aproximam de São Luís. Outro dado é que a baía de São Marcos possui vários acidentes geográficos como bancos de areia, bancos de corais e coroas de pedra. Então é muito perigoso ficar à deriva nessas condições de mar porque o passageiro pode ser jogado contra esses acidentes geográficos. E isso já aconteceu, por exemplo, com um catamarã da aeronáutica que foi destruído em cima de uma coroa de pedra”. O pesquisador explica que uma solução já foi estudada pelo governo do estado, e seria a construção de uma marina no espigão da Ponta d’areia, o que implicaria em um serviço de dragagem no local.

Soluções possíveis

Gairo Garreto conclui em sua pesquisa que todas essas questões geram problemas para o turismo da cidade histórica de Alcântara, que hoje abriga o Centro de Lançamentos de foguetes da Força Aérea Brasileira. “Segundo a Secretaria de Turismo aproximadamente 7% dos turistas que visitam São Luís também visitam Alcântara. E esse é um percentual muito baixo. Eles geralmente reclamam da sensação de insegurança das embarcações e das dificuldades de acesso e conforto”, analisa o professor.

Para o professor do IFMA a solução desses problemas seria um forte investimento do poder público em infraestrutura portuária e das embarcações contemplando questões ligadas à acessibilidade e a manutenção adequada, além da construção de embarcações mais modernas, confortáveis e seguras.

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