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Entrevista: Professor visitante traz apoio à pós-graduação do IFMA

O professor Sabino veio da Universidade Simón Bolívar, em Caracas (Venezuela), para desenvolver atividades na área de polímeros e preparação de biocompósitos.
  • Jorge Martins
  • publicado 21/09/2016 14h46
  • última modificação 21/09/2016 15h26
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professor-visitante-marcos-sabinoRenomado pesquisador nas áreas de Polímeros e Química Orgânica, o professor venezuelano Marcos Antonio Sabino Gutiérrez, da Universidade Simón Bolívar, está em São Luís desde o dia 4 de setembro para passar um período de quatro meses como professor visitante dos programas de pós-graduação stricto sensu do Instituto Federal do Maranhão (IFMA). No Campus Monte Castelo, Sabino já está ministrando aulas para os alunos do Mestrado em Engenharia de Materiais e tem dado palestras para esses estudantes, alunos do Mestrado em Química e professores. O objetivo da visita é fortalecer os cursos de pós-graduação do IFMA, sobretudo na área de Polímeros.

A vinda do professor está sendo financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Maranhão (Fapema), que contemplou o projeto de pesquisa “Preparação e caracterização de biocompósitos de poliéster biodegradável à base de matérias primas naturais típicas do Maranhão”, coordenado em conjunto por Sabino e pelo professor José Manuel Rivas Mercury, do Programa de Pós-graduação em Engenharia de Materiais (PPGEM) do IFMA. A ideia é aproveitar a casca do camarão e também fibras naturais típicas da região para a preparação de biocompósitos entre polímeros biodegradáveis, produzindo materiais híbridos mais facilmente decompostos na natureza. O projeto também conta com a colaboração da professora Lamia Zuniga, do curso de Engenharia Química da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e prevê a participação de alunos de ambas instituições.

Leia, abaixo, entrevista com o professor visitante:

1 – Como surgiu a ideia da pesquisa que você está desenvolvendo com o prof. Rivas?

Quando surgiu a ideia da nossa colaboração, a gente começou a criar um projeto que pudesse ser avaliado pela Fapema. Como eu já tenho algum trabalho adiantado de formulação, preparação e caracterização de biocompósitos – que são um híbrido de material sintético com natural – a gente decidiu criar biocompósitos a partir de algum material natural ou fibras que a gente pudesse conseguir no Maranhão. As aplicações desse projeto podem ser muitas. Primeiro, nós temos que ver qual material sintético vamos misturar inicialmente com a casca do camarão. Seria possível pegar polímeros biodegradáveis ou não, mas a gente quer trabalhar com materiais biodegradáveis para fazer um produto que seja mais retornável para a natureza. Com o resultado, nós poderemos ter muitas aplicações biomédicas e também poderemos utilizar o material para criar um tipo de objeto que possa ser utilizado e depois descartado no ambiente sem necessidade de agredi-lo.

2 – Na sua avaliação, qual é o potencial do Maranhão na utilização dessas matérias primas naturais para a preparação desses novos biocompósitos?

Muita coisa pode ser aproveitada em toda essa região do nordeste brasileiro, e esse projeto permitirá a criação de muitos produtos no futuro. Eu acho que o Maranhão tem um potencial muito grande na geração de biocompósitos se houver, daqui a alguns anos, pessoal preparado tanto na parte de pesquisa como na parte acadêmica, além de laboratórios adequados para esse tipo de pesquisa.

3 – Você acredita que esse desenvolvimento de materiais mais sustentáveis seja uma tendência no meio científico?

Eu acho que é uma tendência sim. Na Europa, por exemplo, quase todas as pesquisas relacionadas com materiais plásticos exigem que o material seja biodegradável, que você procure fazer coisas que não sejam nocivas para o meio ambiente. Então eu acho que todo mundo tem que tentar produzir esse tipo de composto. No caso de materiais plásticos, ou seja, materiais poliméricos, a gente tem falado que eles não são biodegradáveis. Mesmo que alguns tenham caráter biodegradável, essa biodegradação pode ser muito mais lenta. Assim, se você incorpora algum tipo de composto natural, você vai criar um ambiente que possa permitir que uma vez que o material é utilizado, ele vá para a natureza e interaja melhor com o meio ambiente sem produzir nenhum tipo de contaminação.

4 – A colaboração internacional entre instituições de pesquisa é um movimento necessário para que a ciência atenda demandas que são cada vez mais globais?

Eu acho que todo tipo de colaboração sempre é bem-vinda. No meu caso, eu sou formado na área de Polímeros e posso contribuir com alguma coisa aqui no Brasil. E todas essas áreas são multidisciplinares, então você não pode ficar trabalhando sozinho no seu canto. Você tem que colaborar. Eu venho para cá de braços abertos para dar essa formação aqui no IFMA e na UFMA. Acho que pode ser criado algum tipo de polo de interação entre instituições com outras universidades no Brasil ou no exterior, como o caso da Universidade Simón Bolívar em Caracas.

5 – A partir dessa experiência de professor visitante, qual é o legado que você espera deixar no IFMA?

Eu espero que os alunos vejam que eles têm outras opções, outras possibilidades de estudos. Nós queremos estabelecer uma colaboração institucional. Ou seja, que eu possa conseguir voltar ao Maranhão em outras oportunidades para dar continuidade ao trabalho, ou também que os alunos daqui possam ir para a Venezuela para trabalhar conosco. O maior legado que a gente espera é formar profissionais na área de polímeros que trabalhem para desenvolver a região do Maranhão, e no futuro a criação de empresas que apoiem esse desenvolvimento.

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