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Estudantes participam de congresso sobre turismo indígena

A experiência foi desenvolvida pelos integrantes do projeto “Observatório do Turismo” do Campus Buriticupu
  • Cláudio Moraes
  • publicado 20/11/2017 15h07
  • última modificação 20/11/2017 15h12

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Vivenciar, in loco, uma experiência de turismo em aldeia. Essa foi a oportunidade que os estudantes do Campus Buriticupu desfrutaram, entre os dias 10 e 13 desse mês, ao visitarem a Terra Indígena (TI) Aldeia Lagoa Encantada do povo Jenipapo-Kanindé, localizada na cidade Aquiraz, na região metropolitana, a 30km de Fortaleza. A atividade fez parte da programação do 4º Colóquio Internacional de Turismo em Terras Indígenas e de Comunidades Tradicionais, realizado no Campus Peci da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Evento contou com a participação de lideranças e pesquisadores do Brasil, Argentina, Chile e Colômbia

 

Lideranças de povos indígenas e comunidades tradicionais, pesquisadores e instituições governamentais e não governamentais do Brasil, Argentina, Chile e Colômbia discutiram, durante o evento, a conjuntura atual das políticas governamentais para os povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, o turismo nas terras desses povos, as experiências do turismo comunitário no Brasil e na América Latina e as políticas de educação diferenciada indígena e turismo.  De acordo com Angélica Reis (estudante do 2º ano do curso Técnico em Administração do IFMA) experiências como essa tornam a realidade mais próxima dos alunos. “Podemos, agora, pensar na possibilidade de praticar os ensinamentos do curso em nossas realidades”, afirmou. Para a professora Andrea Lima Barros, que coordenou a viagem, os estudantes desenvolveram capacidade organizativa e a programação do evento gerou informações qualitativas e quantitativas. “Houve um grande aprendizado dos estudantes no tocante a organização de reuniões, elaboração de relatórios, conhecimento real da situação da região e o contato direto com os operadores do sistema turístico comunitário”, avaliou.

 

Turismo indígena

Cinco trilhas brindam os turistas com dunas, lagoas, mangues, flora e fauna diversa

O povo Jenipapo-Kanindé apropriou-se do turismo de base comunitária como estratégia de sobrevivência, por meio da afirmação étnica como povos indígenas do Ceará na Zona Costeira do estado. Eles têm pensado a atividade turística como uma alternativa sustentável de desenvolvimento local, empreendida a partir de critérios estabelecidos por seu próprio grupo étnico. Cinco trilhas guiadas por monitores indígenas abrangem circuitos conforme as necessidades dos diversos públicos e possuem maiores e menores graus de dificuldades para serem percorridas: da Lagoa Encantada, do Morro do Urubu, dos Roçados, dos Riachos e a dos Campos de Dunas.

No projeto de turismo comunitário do povo Jenipapo-Kanindé, as lideranças indígenas assumiram papel ativo, participando desde a elaboração da proposta até o momento de implantação e desenvolvimento do projeto de turismo na TI Aldeia Lagoa Encantada. De acordo Isis Lustosa, pesquisadora da Universidade Federal de Goiás, a experiência se iniciou por meio do Projeto de Extensão “Educação Integral para a Sustentabilidade e o Desenvolvimento do Turismo Comunitário na Terra Indígena (TI) Jenipapo-Kanindé, município de Aquiraz, Ceará”, coordenado, entre 2005 e 2007, por pesquisadores do Departamento de Geografia da UFC. Paralelamente, o trabalho evoluiu para a experiência em Rede de Turismo Comunitário, com apoio da Rede Cearense de Turismo Comunitário (REDE TUCUM) e do Instituto Terramar, uma Organização Não Governamental sem fins lucrativos (ONG) de caráter socioambientalista. O projeto foi uma reação contrária à tentativa de implantação, por um grupo empresarial luso-brasileiro, de um complexo turístico internacional de lazer e hotelaria em suas terras.

A Lagoa Encantada é sagrada para s Jenipapo-Kanindé

O interesse pelo turismo ofertado a partir do interesse de povos e comunidades tradicionais tem se evidenciado. Em 2008, por exemplo, o II Seminário Internacional de Turismo Sustentável realizado em Fortaleza, tornou-se referência na discussão acadêmica, institucional e vivencial sobre o tema, com a participação de representantes de 19 estados brasileiros e 13 países (Bolívia, Peru, Equador, Costa Rica, Honduras, Nicarágua, México, Estados Unidos, França, Espanha, Suíça, Alemanha e Itália).

 

Observatório do Turismo

Os estudantes do IFMA, participantes do evento, integram o projeto “Observatório do Turismo” do Campus Buriticupu, desenvolvido desde o ano passado, com os cursos técnicos em Administração e Agronegócio, sobre a coordenação da professora Andréa Lima Barros. Na metodologia do projeto, – contemplado pelo edital de fluxo contínuo da Pró-reitoria de Extensão do IFMA – constaram reuniões, rodas de conversas e entrevistas de diagnóstico realizado pelo grupo de trabalho e a geração de um relatório descritivo.  O debate envolveu os setores de transporte, hospedagem, gastronomia, agências de viagens, prefeituras e câmaras municipais, promotorias, instituições financeiras, sindicatos de prestadores de serviços, entidades associadas de hotéis, os campi do IFMA e o SEBRAE.

 

Segundo a coordenadora, o projeto se encerrou em agosto cumprindo os objetivos propostos. “Buscamos promover um debate contínuo e organizado para possíveis promotores do trade da atividade turística na cidade de Buriticupu e circunvizinhança”, afirmou.  “Conseguimos abrir um canal de diálogo entre a academia e a sociedade sobre novas perspectivas de serviços e negócios advindos com a prática do turismo”, prosseguiu. “A comunidade ficou ciente que a participação popular pode proporcionar uma ampliação dessa capacidade operativa de desenvolvimento”, continuou. “Agora o grupo se prepara para desenvolver uma nova proposta e busca parceiros externos e ONG’s da região para realizar um inventário da oferta turística”, disse Andréa.

 

A microrregião do Pindaré, onde se insere a cidade de Buriticupu, possui uma área total de 36.000,996 km², dividida em 22 municípios, com uma densidade demográfica de 16,7 hab/km². “Pretendemos preparar a comunidade para receber o olhar do turismo com enfoque na hospitalidade”, concluiu a coordenadora do projeto.

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