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Sururu: pesquisa do IFMA ganha prêmio nacional

Aplicação de técnicas de manejo é realizada em projetos experimentais de cultivo nos municípios de Bequimão e Raposa
  • Cláudio Moraes. Fotos da pesquisadora.
  • publicado 19/01/2018 12h28
  • última modificação 19/01/2018 13h28

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Singrar por solo maranhense significa mirar a história nos mirantes, encantar-se com o batalhão do bumba-meu-boi, admirar as belezas naturais, dançar o reggae agarradinho e deliciar-se com uma das mais ricas culinárias do país.

Além do arroz de cuxá, da peixada, da caldeirada, do caranguejo, da juçara, do camarão e dos licores de seu Tonico Santos, pai do arariense Zeca Baleiro, é indispensável aos viajantes saborear o afrodisíaco sururu.  Da família do mexilhão e da mesma classe da ostra, esse molusco de alto valor nutritivo pode ser apreciado no leite de coco, como ingrediente de torta, de arroz ou consumido como caldo.

Corda de sururu confeccionada com sementes obtidas de coletores

 

A presença do sururu nas mesas maranhenses é fruto do trabalho extrativista e artesanal de pescadores do litoral do estado. Entretanto, a pesquisadora do IFMA Campus Maracanã, Izabel Funo, vem participando, desde 2013, de projetos experimentais do cultivo do sururu (mitilicultura), no município de Raposa, tendo iniciado ações na cidade de Bequimão no ano passado.

 

Segundo a pesquisadora, o cultivo do sururu é uma atividade que detém grandes vantagens. “Requer baixo nível de investimento, pode ser desenvolvido em regime cooperativo e viabilizar a melhoria da renda e segurança alimentar de comunidades do litoral”, afirmou. O cultivo pode, também, contribuir para o desenvolvimento sustentável, com a preservação dos bancos naturais de mariscos nativos.

 

Premiações

Duas pesquisas do Núcleo de Maricultura do IFMA – Campus São Luís Maracanã, no âmbito do projeto coordenado por Izabel Funo, foram premiadas nacionalmente, durante a 24ª Feira Nacional do Camarão (FENACAM), realizada em Natal, Rio Grande do Norte, em novembro do ano passado.

Josinete Monteles, estudante do 4º período do curso de Licenciatura em Biologia do Campus Monte Castelo, efetuou a apresentação oral do trabalho premiado

Dentre 300 trabalhos inscritos no evento, duas pesquisas do IFMA conquistaram o primeiro lugar. Recrutamento de Semente de Mytella falcatae em Manguezais de Macromaré no Litoral Maranhense ficou com o prêmio na categoria apresentação oral, com a participação dos estudantes Josinete Sampaio Monteles, Edivânia Oliveira Silva e Ana Melissa de Moraes Câmara. “Tenho a sensação do dever cumprido, ao retribuir à sociedade os conhecimentos que adquiri”, afirmou Josinete Monteles. “A pesquisa é uma contribuição para academia e ainda subsidia o desenvolvimento do trabalhador artesanal”, complementou.

Joseila Assunção detalha o projeto executado na Raposa a um dos avaliadores, antes de ser premiado

 

E na categoria apresentação pôster, a premiação ficou com o trabalhoCultivo Experimental do Sururu Mytella guyanensis em Manguezais de Macromaré na Ilha do Maranhão, Brasil” de autoria das estudantes Joseila Mendonça Assunção, Josinete Monteles, Yllana Ferreira Marinho e Ícaro Antônio.  Os estudantes integram os cursos técnicos do Campus Maracanã em Aquicultura, Agropecuária  e do curso superior em Ciências Agrárias, além do curso de Biologia do Campus Monte Castelo. “Esse prêmio foi fundamental pois demonstra o valor e a importância da pesquisa, com um reconhecimento fundamental que cada vez mais motiva o grupo”, comemorou a professora Izabel Funo.

 

A pesquisa

Porto de Bequimão onde é realizado um dos experimentos

O projeto “Recrutamento de sementes e cultivo experimental do sururu em águas estuarinas dos municípios de Raposa e Bequimão, Maranhão” está sendo executado pelo Núcleo de Maricultura (NUMAR) do IFMA Maracanã com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema).  No município de Bequimão, o trabalho vem gerando informações sobre a coleta de semente de sururu em ambiente natural, enquanto na Raposa os estudos focam o crescimento do molusco quando submetido ao cultivo.

Os coletores utilizados: PVC, PET e tela de polietileno

A pesquisa “Recrutamento de semente de Mytella falcata em manguezais de macromaré no litoral maranhense” está sendo desenvolvida desde fevereiro do ano passado em Bequimão, a 361 km da capital. O projeto com previsão de encerramento no próximo mês busca determinar a eficácia de três tipos diferentes de coletores, confeccionados com materiais reciclados de baixo custo no recrutamento de sementes de sururu em ambiente natural, submetido às ações de macromarés.

 

No sistema de cultivo flutuante instalado no estuário de Paricatiua, com apoio da prefeitura municipal de Bequimão e do Sindicato dos Pescadores, está sendo realizado um experimento com a coleta de amostras mediante a utilização de três materiais diferentes (placa de PVC, PET e tela de polietileno) com três repetições para cada tipo.

Equipe realiza análise das amostras do projeto no laboratório do Núcleo de Maricultura do IFMA Campus São Luís Maracanã

Duzentas e vinte seis mil amostras de sementes foram obtidas em nove coletas realizadas a cada 45 dias, entre fevereiro e maio de 2017, e examinadas no laboratório do Núcleo de Maricultura (NUMAR) do IFMA Campus Maracanã. Em cada amostragem, os coletores foram retirados da água para serem analisados e, imediatamente, novos coletores foram fixados. A partir da contagem do número total de sementes por coletor, foi determinada a densidade de fixação de sementes por cm2. Esse resultado foi obtido com a divisão do número total de sementes fixada em cada tipo de coletor por sua respectiva área.  As sementes recrutadas também eram pesadas em balança de precisão.

Pesquisadora fixa os coletores de PET

Os estudos concluíram que o maior crescimento da altura e peso das sementes foi registrado nos coletores de PVC e PET, nos quais houve menor quantidade de sementes fixadas por cm2”, afirmou a pesquisadora Izabel Funo. “Isso sugere que a competição entre os sururus coletados, em maior quantidade, na tela de polietileno afetou os parâmetros de crescimento avaliados”, prosseguiu.

Fixação de cordas de sururu no estuário de Paricatiua, em Bequimão

 

No município de Raposa, na região metropolitana de São Luís, o projeto “Cultivo experimental do sururu Mytella guyanensis em manguezais de macromaré na Ilha do Maranhão – Brasil” avaliou o crescimento do sururu cultivado em cordas suspensas em manguezais. O objetivo é contribuir para o aprimoramento de metodologias de cultivo adequadas à espécie e às características ambientais da região.

Foram confeccionas 12 cordas de um metro de comprimento, onde foram acondicionados 600 g (420 indivíduos) de sementes de sururu por metro linear da corda de cultivo. Cada corda media um metro de comprimento e nestas foram estocados sururus com altura de concha inicial de 24±0,5 mm e peso médio de 1,4±0,1 g. Quinzenalmente, 150 indivíduos foram retirados das cordas de cultivo e submetidos à biometria, paralelamente eram determinadas as variáveis ambientais.

 

“Isso indica que o cultivo dessa espécie é promissor nas águas estuarinas da Raposa”, afirmou a pesquisadora do IFMA Campus Maracanã. “As variáveis ambientais mostraram-se satisfatórias ao desenvolvimento da espécie”, complementou. “Porém, são necessários outros estudos experimentais para contribuir com o desenvolvimento dessa atividade”, prosseguiu.

 

Os resultados das pesquisas já estão sendo aplicadas de uma forma prática com duas famílias de pescadores que estão interessados em desenvolver a atividade. Uma no município de Bequimão e outra no município de Raposa.

 

O principal problema observado durante a realização dos projetos foi o aparecimento de organismos incrustantes nas estruturas de cultivo. “Uma forma que encontramos para eliminar essa fauna acompanhante foi expondo as estruturas de cultivo quinzenalmente ao sol, durante uma hora”, explicou Izabel Funo. “Esse manejo contribui para eliminar os organismos incrustantes”, complementou.

 

Futuros estudos

A pesquisadora pretende desenvolver projetos futuros que possam subsidiar a reprodução da espécie em laboratório, estudos sobre patologias que atingem esses moluscos, pesquisas que abordem novas tecnologias de cultivo e que possam maximizar o crescimento e a sobrevivência da espécie. Tais pesquisas futuras estão sendo planejadas em parceria com o pesquisador Ícaro Gomes do departamento de Engenharia de Pesca da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e Yllana Marinho do Departamento de Engenharia de Pesca do Campus Pinheiro da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

 

“Há pouca investigação sobre o cultivo do sururu”, afirmou Izabel Funo. “E diante do potencial desse molusco como mais uma espécie candidata a promover o desenvolvimento da mitilicultura brasileira, justifica-se a realização dessa pesquisa”, frizou. Os principais registros realizados anteriormente sobre o cultivo de sururu, no Brasil, remontam a 2002. Outros trabalhos foram realizados na Costa Rica nas décadas de 80 e 90. “Os dados produtivos obtidos na região estudada não foram promissores, diferente dos dados que obtivemos atualmente em nossas pesquisas”, analisou Izabel Funo.

 

Cozinha

Graduada em Ciências Aquáticas pela Universidade Federal do Maranhão, com doutorado e mestrado em Recursos Pesqueiros e Aquicultura pela Universidade Federal Rural de Pernambuco e especialização, realizada no Chile, em Cultivo de Moluscos Comerciais e em Sistema Produtivos em Aquicultura, Izabel Funo também adora cozinhar e preparar pratos relacionados com mariscos.

 

No momento, ela está elaborando um projeto de capacitação de comunidades quilombolas para o efetuar o cultivo da ostra e do sururu, com o viés da gastronomia. “Penso em realizar uma pesquisa de incentivo às comunidades para desenvolverem pratos mais elaborados com o sururu de forma a agregar valor ao produto”, confessou. Esse projeto futuro deve contar com o apoio do curso técnico de Cozinha do IFMA Campus Maracanã.

Deu água na boca ?  Então que tal preparar aquela receita especial ?

Leia a dica da profa Izabel Funo e prepare o arroz de sururu.

Receita de Izabel Funo: arroz preparado com o sururu de cultivo, decorado com o molusco na concha.

 

Ingredientes:
150g de arroz parboilizado
300g de carne de sururu
1 dúzia de sururu na concha (pré-cozido)
150 ml de leite de coco
1/2 litro de caldo de legumes ou de cabeça de camarão
1 cebola e 1 tomate
1 maço de cheiro verde (coentro)
1 maço de salsinha
Sal, alho e azeite a gosto

Como fazer:

Limpar sururu e posteriormente temperar com azeite, sal, alho e salsinha e reservar. Dourar cebola, alho e tomate no azeite, colocar uma pitada de corante e acrescentar a carne sururu, o arroz e o caldo sempre que necessário.  Cinco minutos depois acrescente o leite de coco e corrija o sal. Quando arroz estiver ao dente decore com o sururu na e 3 minutos depois finalize com cheiro verde e cebolinha.

Depois é só se deliciar em boa companhia.

E como aperitivo, um licor de Seu Tonico Santos ao som de “Lenha” de Zeca Baleiro.

Bon apetit !

 

Confira mais fotos do projeto

 

 

 

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