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IFMA: cultura e criatividade no ensino tecnológico

O IFMA completou 10 anos no dia 29 de dezembro, conciliando a construção da cidadania com o saber científico
  • Reportagem e fotos: Cláudio Moraes
  • publicado 31/12/2018 11h34
  • última modificação 31/12/2018 11h57

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Estudantes do IFMA Campus Bacabal encenam Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto

Ser estudante de um curso técnico significa se apropriar de uma formação de competências e habilidades técnicas para uma rápida inserção no mercado de trabalho. O egresso do curso deve estar familiarizado com as tendências tecnológicas para atender às necessidades da res mercatori. Nada de omnilateralidade, mas tão somente do homo faber de Max Frisch.

Assertiva certa ou errada ? Bem, se depender das histórias de vida dos intelectuais José Saramago e Ferreira Gullar, nada mais obtuso. O único detentor do Prêmio Nobel de Literatura da língua portuguesa estudou numa escola técnica e o seu primeiro emprego foi como serralheiro mecânico.  E o imortal autor de “Poema Sujo” nunca imaginaria, ao ingressar, aos 14 anos, no Curso Industrial da Escola Técnica de São Luís, onde se descobriu escritor, que ganharia o Prêmio Camões 2010 – o mais importante da literatura portuguesa.

A rede federal é referência em educação profissional, afirma o reitor do IFMA Roberto Brandão

Não é, portanto, sem motivos que os institutos federais de educação profissional, científica e tecnológica celebram 10 anos de existência, no dia 29 de dezembro, com outras finalidades além de simplesmente qualificar cidadãos para atuação profissional.

Escola de vida integral

Ao sucederem os centros federais de educação profissional (Cefet’s) e as escolas técnicas, os 38 institutos federais, em todo o país, buscam viabilizar a promoção do desenvolvimento socioeconômico, com soluções às demandas sociais e peculiaridades regionais. Para o reitor do Instituto Federal do Maranhão, Roberto Brandão, a atuação do IFMA e da rede federal educação profissional é diferenciada. “O projeto pedagógico estimula a coexistência do ensino técnico com o humanismo”, enfatizou. “Essa concepção está presente em nosso planejamento estratégico, no plano de desenvolvimento institucional e no projeto político pedagógico”, assinalou.

 

“Somos uma escola de educação integral, que não apenas forma para o mundo do trabalho, mas cidadãos que tem um olhar crítico também sobre a realidade”, enfatiza Dayse Araújo, assistente social que dirige a Diretoria de Assuntos Estudantis do Instituto Federal do Maranhão (IFMA). Dayse, juntamente com a professora Mayara Anunciação, chefe do Departamento Artístico-Cultural de Desporto e Lazer do IFMA, esteve à frente da coordenação do Segundo Encontro de Arte (2º ENARTE) promovido pela instituição, em dezembro, no Campus São Luís Monte Castelo, sede da antiga Escola Técnica.

 

 

O ENARTE se configura como uma atividade artístico-cultural pedagógica destinada à valorização da cultura e de suas manifestações artísticas. O evento contou com a participação de cerca mil estudantes de 23 campi, entre inscritos e ouvintes. “A minha avaliação é extremamente positiva e gratificante, diante da apresentação de inúmeros trabalhos das áreas de cinema, fotografia, artes visuais, teatro, música e dança”,  pontuou Mayara Anunciação.

 

Orquestra de violões do Campus Monte Castelo é formada por alunos de cursos técnicos, entre 15 e 19 anos

Mas afinal, como isso se relaciona com os cursos técnicos ? Tem tudo a ver, segundo o professor Salviano Abreu Neto, 27, que leciona música em todos os cursos do IFMA Campus Monte Castelo, de automação à eletrotécnica. “Nós estamos no Instituto Federal e temos estudantes que se apresentam em todo o país”, diz com orgulho. “É um meio para que os estudantes percam o medo de falar em palestras e congressos”, explicou.

“Sempre gostei de música”, esclarece Raul Saldanha, 17 anos, estudante do curso técnico em Química. Ele é um dos 21 integrantes do grupo musical “Figuras harmônicas”. A orquestra de violões, formada por estudantes do IFMA, com idade entre 15 e 19 anos, foi fundada em 4 de abril deste ano pelo professor Salviano. O grupo surgiu como uma atividade de encerramento das disciplinas nas turmas dos cursos de Segurança do Trabalho, Eletromecânica e Eletrônica. “Fizemos uma apresentação para todo o campus, todo mundo gostou e o negócio deslanchou, já não mais relacionado a uma disciplina, mas como um projeto do campus”, afirmou o professor, que detém curso técnico e licenciatura em Música.

 

Reflexão sobre a vida

“O teatro mudou a minha vida”, diz Gabriel Carvalho, 16, aluno do curso Técnico em Química do Campus Bacabal (ao centro)

Gabriel Carvalho, 16 anos, do IFMA Campus Bacabal, a 246 Km da capital, também é estudante do curso técnico em Química. Mas está mais para Nicolas Flamel das artes cênicas. Ele integra o Núcleo de Pesquisa e Práticas Teatrais Deux ex Machina, concebido, em 2017, por Leandro Lago, professor de Artes do campus.

O núcleo teatral, criado pelo Mestre em Artes Cênicas pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) e cujo nome pode ser literalmente traduzido como “Deus surgido da máquina”, possibilita aos estudantes conhecerem a língua artística teatral aliando teoria e prática.

No 2º ENARTE, Gabriel encarnou Severino no Teatro Viriato Correia, com a dramaticidade e o lirismo que denunciam a desigualdade social, o latifúndio, o coronelismo e as oligarquias.  “A obra de João Cabral de Melo Neto é belíssima e nós trazemos uma provocação ao espectador”, afirma o estudante.

Segundo ele, “Morte e Vida Severina”, obra regionalista e modernista, publicada em 1955, é uma boa reflexão. Ela narra o sofrimento enfrentado por Severino, por meio de um poema dramático que relata a dura trajetória de um sertanejo em busca de uma vida melhor na capital pernambucana. “Mudou a minha vida acadêmica e pessoal”, confessou Gabriel. “Olhando de longe, parece não ter muito a ver química e cultura, mas acho que deve ter espaço pra cultura e pra arte no IFMA”, afirmou o estudante.

“Em tempos de reforma do ensino, a pró-Reitora de Ensino Ximena Maia, “a defesa do IFMA é de uma formação integral” e não apenas profissional. “A rede federal é referência em educação profissional”, avalia o reitor Roberto Brandão, que presidiu o CONIF  em  2017. “Vamos trabalhar para consolidá-la de forma a podermos celebrar novas décadas”, concluiu.

 

Os números do IFMA e da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica

A Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica nasceu com a Lei n.º 11.892, em 29 de dezembro de 2008. Em todo o país, 31 Centros Federais de Educação Tecnológica, 75 Unidades descentralizadas de ensino, 39 Escolas Agrotécnicas, 7 Escolas Técnicas Federais e 8 escolas vinculadas às universidades adquiriram o status de Institutos Federais. A rede tem aproximadamente 80 mil servidores, entre técnicos administrativos e professores, e mais de 1 milhão de estudantes.

 

No Maranhão, houve a unificação do CEFET-MA, das Escolas Agrotécnicas das cidades de Codó, São Luís e São Raimundo das Mangabeiras, constituindo o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA). A instituição se caracteriza por sua interiorização, com a presença em 30 municípios, por meio de seus campi e centros de referência educacional. Além disso, já atingiu outras 47cidades, com seus polos vinculados a programas institucionais como a Universidade Aberta, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico, o Mediotec, a Escola Técnica Aberta, Plano Nacional de Formação Nacional de Professores da Educação Básica, o Programa de Bolsa de Iniciação à Docência, a Residência Pedagógica, a Educação no Campo e o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária e o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos.

Só na capital maranhense, o IFMA está presente nos bairros do Monte Castelo, Maracanã, Centro Histórico. Itaqui-Bacanga e Cidade Operária. Mantém, ainda, o centro de pesquisas em ciências ambientais no Itapiracó, um centro de referência tecnológica no Monte Castelo e a sede da Reitoria.

 

O IFMA congrega 313 doutores e 928 mestres de um total de 3.031 servidores. Todos trabalham em prol de 31.365 estudantes matriculados em 69 cursos técnicos, 24 cursos superiores, 9 cursos de especialização e 4 mestrados., nos eixos tecnológicos de recursos naturais, produção alimentícia, controle e processos industriais, saúde e ambiente, turismo, hospitalidade e lazer, gestão e negócios, produção industrial, informação e comunicação, segurança, produção cultural e design e infraestrutura.

 

Nos 141 grupos de pesquisa, atuam 1.134 cientistas em 540 linhas de pesquisa. O IFMA, nesses dez anos, conquistou  dois prêmios FAPEMA de jornalismo científico (2018 e 2017), 17 de pesquisador Júnior (entre 2018 e 2010), 4 premiações de tese de doutorado (2018, 2017, 2016 e 2012), 4 de jovem cientista (2018, 2011, 2010 e 2009), 3 de desenvolvimento humano (2018, 2017 e 2015), 3 popvídeo (2018 e 2107) e 3 dissertações de mestrado (2014 e 2013).

 

Em sua ação de compartilhamento com a comunidade do conhecimento adquirido por meio do ensino e da pesquisa desenvolvidos na instituição, o IFMA implementou 1.014 projetos de extensão, em 10 anos, nas áreas de educação, cultura, lazer, direitos humanos, saúde, trabalho e empregabilidade.. Hoje, 248  projetos encontram-se em plena atividade.

 

 

E os estudantes e professores da instituição vêm conquistando cada vez mais novos horizontes, com experiências de intercâmbio em Portugal, Inglaterra, França, Irlanda, Escócia, Filândia, Argentina, Chile, Uruguai, Canadá, Estados Unidos, Coréia do Sul e África do Sul. O IFMA também já recebeu pesquisadores do Costa do Marfim, moçambicanos, alemães, franceses, canadenses, mexicanos e norte-americanos.

 

Portanto, que venham mais novos 10 anos de celebração !

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