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Games no IFMA: estudantes pesquisam formas de lucratividade

Estudantes de Programação de Jogos Digitais do Campus São José de Ribamar apresentaram a sua pesquisa em Simpósio Nacional, dividindo espaço com pesquisadores de graduação e pós-graduação de todo o país.
  • Cláudio Moraes
  • publicado 06/02/2019 10h14
  • última modificação 06/02/2019 10h21

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O mercado de jogos digitais movimentou cerca 644 milhões de dólares no mercado brasileiro em 2016, com expectativa de atingir US$1,4 bilhão em 2021. Os dados são da 18ª pesquisa global de entretenimento e mídia 2017-2021, elaborado pela consultoria PricewaterhouseCoopers.

 

Ocorre que a obtenção de lucro é um dos maiores desafios de quem elabora jogos para aquisição gratuita. Jogos desse tipo, conhecidos como “free-to-play” adotam, hoje, uma perspectiva de serviço e não mais de produto, em que o modelo de negócio se baseia em compras dentro de um aplicativo e publicidade.

 

Os desenvolvedores dos jogos “free-to-play” geralmente tendem a se basear em jogos com alta rentabilidade para saber quais estratégias devem utilizar para torná-lo rentável. “São muitas as dificuldades enfrentadas pelos jovens desenvolvedores, pois monetizar um jogo requer conhecimentos específicos, de difícil acesso”, afirma o professor Ruy Oliveira, Mestre em Ciência da Computação e coordenador do curso técnico de Programação de Jogos Digitais do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) Campus São José de Ribamar.

 

Uma dessas estratégias, por exemplo, é a publicidade em jogos (game advertising), com destaque para os rewarded ads. Trata-se de um estímulo para que o usuário visite a página do anunciante ou assista a um vídeo de um de seus produtos. Em troca, recebe uma recompensa que pode ser uma moeda virtual, itens ou vantagens no contexto do jogo.

 

IFMA em Simpósio Nacional de Entretenimento Digital

A partir da esquerda: profa Karoline Leão, a estudante Samira Santos, o prof. Ruy Oliveira e o estudante João Avelino

 

O professor Ruy Oliveira lidera um projeto de pesquisa que busca facilitar a vida dos jovens desenvolvedores para que tenham chance de sucesso no mercado de games, com a redução do esforço para que mantenham atualizado o catálogo de estratégias.

 

Os resultados da pesquisa foram apresentados no 17º Simpósio Brasileiro de Jogos de Computadores e Entretenimento Digital (SBGames) em Foz do Iguaçu, no final de outubro.

 

Samira Radrany dos Santos e João Victor Avelino, ambos com 16 anos, estudantes do 2º ano curso Técnico em Programação de Jogos Digitais do IFMA Campus São José de Ribamar, participaram do evento com o trabalho “Catálogo Colaborativo de Estratégias de Monetização para Jogos Free to Play”.

 

O artigo apresenta estratégias que o desenvolvedor de jogos pode adotar para obter lucro com seu jogo e tem co-autoria dos demais estudantes bolsistas Sayuri Doihara e Danilo Damasceno Rodrigues, além da colaboração de Paulo Mendes, estudante de Computação da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

 

João Avelino pontuou que a experiência foi incrível. “Ver a nossa pesquisa ser reconhecida por um evento desse porte mostra que progredimos”, comemorou. Para Samira dos Santos, participar do evento foi muito positivo. “Foi surpreendente que nós, alunos do ensino médio, tivéssemos nosso artigo aprovado ao lado de trabalhos de graduação e de níveis mais avançados”, avaliou

 

O SBGames é o maior e mais importante evento de jogos e entretenimento digital da América Latina. Ele é assistido por cientistas, artistas, designers, professores e estudantes de faculdades, universidades, centros de pesquisa e da indústria de jogos. O SBGames é a principal conferência do Comitê Especial de Jogos e Entretenimento Digital da SBC (Sociedade Brasileira de Computação), que também conta com o apoio da ABRAGAMES (Associação Brasileira de Desenvolvedores de Jogos Digitais).

 

A conferência reuniu cerca de mil participantes de diferentes regiões do Brasil e países, principalmente do Peru, Argentina, Uruguai, Estados Unidos, Inglaterra e Portugal. O SBGames contou com sessões técnicas, mesas redondas e exposições em cinco trilhas de conferência: computação, artes e design, cultura, educação e indústria. Além disso, houve Festival de Jogos, Exposição de Arte de Jogos, o SBGames Kids & Teens e a Diversity in Games.

 

No mesmo evento o estudante do campus João Pedro Rebouças, teve o seu jogo “Projeto Skyline” aprovado como finalista no Festival de Jogos, categoria “Jogo Desenvolvido por Estudante”. Confira o link para vídeo do jogo

 

“A aprovação do trabalho em um Simpósio dessa dimensão espelha a qualidade da pesquisa desenvolvida pelos estudantes do curso de Jogos”, ressaltou o coordenador da pesquisa, professor Ruy Oliveira.

 

Saiba mais sobre a pesquisa

No Universo IFMA, a cultura da gameficação é incentivada por meio das atividades do Planeta Play

O professor Ruy Oliveira informa que alguns estudos já apontam a existência de catálogos que listam estratégias de monetização populares para os jogos “free-to-play”. Mas a dinamicidade da área demanda que os desenvolvedores sempre busquem as estratégias que estão em tendência no momento. “Isso torna custoso e sensível a falhas o processo de desenvolvimento de novos jogos”, complementou.

 

Assim, o pesquisador propôs a criação de um catálogo de estratégias de monetização utilizadas nesse tipo de jogo, que possa ser facilmente atualizado de  forma colaborativa. A proposta é adotar um método de análise bem definido que permita analisar e extrair tais estratégias diretamente dos jogos.

 

O trabalho de pesquisa “Catálogo Colaborativo de Estratégias de Monetização para Jogos Free to Play” foi desenvolvido a partir da dissertação de mestrado do professor Ruy Oliveira “Aplicação de Meta-modelos à Monetização de Jogos Free-to-Play”. Ele  conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Maranhão (FAPEMA) e do Programa Institucional de Iniciação Científica do IFMA e integra um projeto mais amplo que visa facilitar para que jovens desenvolvedores tenham chance de sucesso no mercado de games.

 

Entre agosto de 2017 e julho do ano passado, os pesquisadores realizaram estudos da literatura, em busca da terminologia utilizada para monetização dos jogos, analisaram games e sites especializados, efetuaram a combinação e análise dos termos existentes e elaboraram formulário para extração das estratégias.

 

O formulário foi passado a sete pessoas acostumadas com jogos digitais, mas com diferentes perfis: os que jogam sério, os hardcores, os que jogam como passatempo e os jogadores casuais. Foram analisados jogos que contem grande número de táticas de monetização: “subway surfers”, “criminal casee zombie tsunami”.

 

Após uma sessão de 20 minutos para cada game, os jogadores preencheram o formulário de extração das estratégias percebidas.  Em seguida, foi elaborado o catálogo com a terminologia proposta, contendo 15 estratégias:

  1. Soft currency: tipos de moedas virtuais que podem ser adquiridas sem muito esforço
  2. Hard currency: moedas específicas difíceis de serem adquiridas e que possuem forte ligação com o dinheiro real
  3. Pacotes de expansão: extensão do jogo, com novos itens ou fases, em sua maioria pago
  4. Itens de vaidade: itens para mudar a aparência do personagem
  5. Aceleradores: modo de aceleração para que o progresso do jogo seja mais rápido
  6. Energia: aplicado em jogos de fases, em cada uma cobra certa quantia de energia
  7. Mecânica de apostas: encorajam que os jogadores apostem dinheiro real para obtenção de recompensas
  8. Sistema de recompensas: oferece recompensas diárias a cada dia de acesso ao jogo
  9. Ads banner: pequena estrutura de publicidade
  10. Ads interstitial: publicidade que cobre totalmente a tela do jogo
  11. Reward vídeo: publicidade em vídeo, que recompensa o jogador ao assisti-la
  12. Game distribution: indução do jogar a convidar amigos para jogar
  13. Sistema de desafios: quadros de desafios que podem ser pagos para serem concluídos mais rapidamente
  14. Offerwall: mini loja de tarefas externas a serem concluídas mediante recompensa
  15. Playable ads: publicidade de mini jogos que podem ser testados antes de serem instalados.

 

Segundo o professor Ruy Oliveira, o catálogo é um passo inicial na linha de pesquisa de monetização. “A próxima etapa é desenvolver ferramentas de autoria que auxiliem o desenvolvedor a incluir em seus jogos as estratégias que desejam com pouco esforço de implementação”, informou.

 

IFMA Campus São José de Ribamar se torna referência

O IFMA campus São José de Ribamar é pioneiro na oferta do curso técnico de Jogos Digitais no IFMA e está expandindo cada vez mais os horizontes do instituto. Para Ruy Oliveira, os estudantes do curso têm se mostrado peças chave na formação do ecossistema de jogos do Maranhão. De acordo com ele, “o Instituto continuará a motivar seus estudantes a superarem fronteiras e alcançar objetivos cada vez maiores”.

Segundo ele, o profissional desenvolvedor de jogos tem um caráter empreendedor muito forte. E, no Maranhão, a Associação de Desenvolvedores de Games (AMAGAMES) promove ações de fomento desses estúdios, mediante parcerias entre o governo do estado, instituições de ensino e empresas privadas.

 

“Existem laboratórios de pesquisa atuando no ramo de jogos em diferentes instituições”, afirmou o professor. No mercado, entretanto, não existem mais de 10 estúdios. “A tendência é que estes números mudem com a capacitação de recursos humanos oriundos destas ações”, afirmou.“É natural que estudantes capacitados na área formem suas próprias empresas e desenvolvam seus jogos”, prosseguiu.

O IFMA Campus São José de Ribamar também trabalha na área de Realidade Aumentada/Realidade Virtual. “É o caso da do projeto ‘Aplicação de jogos digitais para conscientização de estudantes de nível médio de São José de Ribamar dos efeitos negativos do uso de drogas’, apontou.

Há ainda, o projeto Oficina de Games, “ um espaço criativo e colaborativo que os estudantes podem usar para desenvolver seus projetos e dar os seus primeiros passos no mercado”, finalizou.

 

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