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IFMA desenvolve projetos estratégicos de inovação

Na segunda-feira (18), comunidade participou no Campus Monte Castelo do lançamento do programa La Passion e da Fábrica de Inovação
  • Augusto do Nascimento
  • publicado 21/03/2019 08h45
  • última modificação 22/03/2019 11h59

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Ciência, tecnologia, inovação, desenvolvimento socioeconômico, articulação social e internacionalização. Todos esses elementos se combinaram na manhã de segunda-feira (18), no campus do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) do bairro Monte Castelo (São Luís), com o lançamento do programa internacional La Passion (Latin America Practices and Soft Skills for an Innovation Oriented Network) e a inauguração do laboratório de alta tecnologia Fábrica de Inovação.

Ambas as iniciativas envolvem investimentos estimados em aproximadamente R$ 1 milhão de recursos (dos quais R$ 550 mil oriundos do IFMA), e têm a proposta de, a partir dos equipamentos de ponta disponíveis no laboratório (computadores para ensino de programação, impressora 3D, drones, óculos para simulação de realidade virtual, dentre outras ferramentas tecnológicas) e da cooperação entre organizações públicas e privadas, realizarem-se pesquisas voltadas para o desenvolvimento regional.

No decorrer de dez semanas, um grupo de 44 estudantes (oito intercambistas da Finlândia, Portugal, Espanha e Uruguai participantes do projeto La Passion, além de 30 alunos do próprio IFMA e seis de outras instituições brasileiras), vão receber orientação para buscarem soluções tecnológicas que contribuam para a melhoria dos índices de desenvolvimento humano (IDH) de São Luís e do município de Santo Amaro, na região dos Lençóis Maranhenses. O trabalho atende a demanda da Secretaria Estadual de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop), no âmbito do Programa Mais IDH, e será executado através da Fábrica de Inovação, projeto estratégico institucional do IFMA cujo objetivo é desenvolver soluções para problemas apresentados por atores públicos e privados, por meio de ações de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I).

“Empregaremos a ciência, a tecnologia e a inovação para diminuir as condições [de vida] negativas para quem mais precisa”, disse o reitor do IFMA, Roberto Brandão, na abertura do evento de segunda-feira, que contou com a presença de Sofiane Labidi, presidente da Academia Maranhense de Ciências (AMC). O reitor considerou que as ações conjuntas entre as instituições envolvidas vão propor resultados efetivos para problemas sociais. No contexto do Instituto, Roberto Brandão se referiu ao processo de planejamento estratégico iniciado em 2016, e que atualmente se encontra em fase de execução, abrangendo um portfólio de 21 projetos estratégicos (dentre os quais a Fábrica de Inovação) que visam a melhorar os indicadores de desempenho institucional, além de dar respostas à sociedade quanto ao trabalho realizado pela instituição.

Da Pró-reitoria de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação (PRPGI), Natilene Brito explicou que o La Passion constitui o primeiro projeto desenvolvido pela Fábrica de Inovação, do qual ela é líder. Segundo a pró-reitora, o laboratório inaugurado no Campus Monte Castelo é o primeiro a dispor de instalações fixas, e dá continuidade à etapa anterior do processo de implementação dessa iniciativa do Instituto, que consistiu na inauguração de espaços móveis instalados em contêineres, os quais se destinam à prototipação e têm a possibilidade de serem transportados para outros locais. Natilene Brito informou que vem sendo montada a infraestrutura física de salas com a perspectiva de que cada unidade do IFMA receba um laboratório equipado com recursos de pesquisa e inovação, para atuar com os parceiros externos na resolução de problemas propostos.

O secretário Francisco Gonçalves (Sedihpop) refletiu que a desigualdade social apresenta diferentes dimensões (econômica, de gênero, étnico-raciais), cujo enfrentamento deve envolver a articulação de políticas públicas em diversas áreas, como infraestrutura, saúde, educação, além das ações de desenvolvimento tecnológico. Ele afirmou ser fundamental a parceria com o IFMA para a execução do Programa Mais IDH, estratégia do poder público estadual que objetiva reduzir a extrema pobreza e as desigualdades sociais no Maranhão. Dentre as unidades federativas do Brasil, o estado detém o mais baixo IDH (0,639 em 2010, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE), que é calculado a partir de indicadores de renda, expectativa de vida e escolarização da população. O IDH varia de 0 a 1, sendo o desenvolvimento do território (país, estado ou município) considerado mais elevado quanto mais o índice se aproximar de 1.

Em relação aos municípios beneficiados pela ação do projeto La Passion, Santo Amaro apresenta um IDH de 0,518, posicionando-se como o 20º pior índice dos 217 municípios maranhenses. Quanto a São Luís, a cidade ocupa a 15ª posição entre as capitais brasileiras, com 0,768 de IDH. A fim de colaborar com a melhoria do desenvolvimento humano local, os estudantes planejam desenvolver projetos com temas pré-estabelecidos, voltados para o fortalecimento do turismo e crescimento econômico, assim como para propor serviços digitais que ajudem mulheres em situação de risco nas duas cidades. Há ainda uma iniciativa para o aprimoramento de necessidades básicas em São Luís, e outro que buscará soluções para uma melhor qualidade da água potável em Santo Amaro.

Internacionalização

Para o titular da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), Davi Telles, a iniciativa da Fábrica de Inovação é ousada por compreender a importância da internacionalização nos processos de produção de conhecimento acadêmico e científico. “Associar [como um binômio] a internacionalização com a inovação é uma saída muito proveitosa para a ciência e tecnologia nos dias de hoje, tempos de recursos escassos e em que a dinâmica e rotatividade nos avanços da ciência são muito rápidas, e dependem muito dessa engenharia e dessa diplomacia acadêmica feitas entre muitos países no mundo”, disse o secretário, que no evento representou o Governo do Maranhão, parceiro institucional do IFMA. Davi Telles considerou ainda a chamada “translação científica”, quando a ciência, tecnologia e inovação impactam de maneira direta na realidade social, contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico.

Diretor do Instituto Politécnico do Porto (IPP), em Portugal, Carlos Ramos é o coordenador-geral do La Passion, que faz parte do programa de capacitação internacional Erasmus+ Capacity Building, da União Européia. Ele destacou que, além da interação de alunos e professores de diferentes procedências, o projeto reúne uma diversidade de áreas de conhecimento, reforçando seu aspecto multidisciplinar. Carlos Ramos disse que serão formados grupos para atuar com os subtemas propostos para elevar o IDH dos municípios-alvo, do que resultará a proposição de iniciativas de caráter tanto social quanto científico e tecnológico. “Vai ser muito interessante ver essas dinâmicas de grupo, muito usadas na Europa, para pensar alternativas e propor ideias”, disse o pesquisador, ressaltando o aspecto vital do desenvolvimento social.

Virgínia Freire, da Diretoria de Relações Internacionais (DIRI), considerou que a atividade conjunta entre estudantes brasileiros e de outros países representa a concretização de fato da política de internacionalização do IFMA. Para alcançar esse feito, de “trazer para a instituição a internacionalização que já acontece no mundo”, a diretora destacou o engajamento de diversos setores do Instituto no planejamento e execução do projeto La Passion, a partir da PRPGI e com apoio da Reitoria. A gestora disse que a internacionalização favorece à instituição “galgar espaços maiores, e levar para outro patamar essa mobilidade, experiências e expectativas acadêmicas e de vida”.

Participantes

Estudante do curso de Sistema de Informações no Campus Monte Castelo, Daniel Marques participou no ano passado do projeto La Passion, como representante do IFMA, em Santiago do Chile. Na edição anterior, os grupos se debruçaram sobre pesquisas com a finalidade de contribuir com a melhoria das condições de vida de pessoas idosas. “Achei interessante por ser um projeto multidisciplinar, em que utilizamos ferramentas e metodologias não só relacionadas à nossa área, mas aprendemos com os colegas de grupo, de áreas diferentes”, disse o veterano, exemplificando que a estrutura do projeto permitiu o desenvolvimento tanto de aplicativos quanto de protótipos físicos.

“Estou muito inspirado com a apresentação do projeto La Passion, pois não sabia que vai tomar essa proporção tão grande”, disse Evandro Mendonça, do curso de Engenharia Mecânica do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), que estreia como participante do projeto. Ele considerou que a universidade desenvolve trabalhos acadêmicos e pesquisas científicas, mas nem sempre existe a oportunidade de atuação diretamente nas comunidades. Evandro Mendonça ponderou também que, por se tratar de um conjunto de problemas comuns a todo o país, o aprendizado no Maranhão poderá ser replicado em seu estado de origem. Quanto ao seu papel individual no projeto, o estudante concluiu que, sendo beneficiário de recursos destinados à educação superior pública, a busca de soluções para problemas da sociedade é uma forma de retornar os investimentos na sua formação.

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