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Nova espécie de dinossauro é encontrada no Maranhão

Itapeuasaurus cajapioensis foi reconhecido graças ao estudo de fósseis coletados em 2015 na praia de Itapeua, município de Cajapió.
  • Jorge Martins
  • publicado 23/08/2019 17h47
  • última modificação 23/08/2019 17h49

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Estima-se que o Itapeuasaurus cajapioensis tenha vivido há 96 milhões de anos. (Imagem: Cretaceous Research)

Após quatro anos de pesquisa, a comunidade científica internacional reconheceu a descoberta de mais uma espécie de dinossauro encontrada em terras maranhenses: o Itapeuasaurus cajapioensis. O trabalho foi conduzido pelo paleontólogo e professor do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) Rafael Lindoso, em colaboração com pesquisadores de outras instituições maranhenses e brasileiras como a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Universidade Estadual do Maranhão (Uema), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Museu de Paleontologia Pedro Candolo. O nome escolhido é uma homenagem à praia de Itapeua, em Cajapió/MA, onde os fósseis foram recolhidos durante uma expedição paleontológica realizada em junho de 2015.

O estudo liderado pelo professor Lindoso foi publicado no fim do mês de julho pelo periódico britânico Cretaceous Research. O trabalho descreve a segunda espécie de dinossauros descoberta no Maranhão – a primeira, o Amazonsaurus maranhensis, foi identificada em 2003 a partir de fósseis retirados das margens do rio Itapecuru. Tanto o Amazonsaurus quanto o Itapeuasaurus são saurópodes, tipos de dinossauros herbívoros e quadrúpedes caracterizados por pescoço e cauda bastante compridos. As duas espécies com identidade maranhense pertencem, entretanto, a um grupo de saurópodes caracterizado pelo pescoço relativamente mais curto, os Rebbachisauridae.

O paleontólogo Rafael Lindoso, do IFMA, conduziu o estudo em colaboração com pesquisadores de outras instituições.

“Diferentemente dos gigantes saurópodes comedores de folhas pesando quase 100 toneladas, esta espécie era modesta, não excedendo os dez metros de comprimento e pesando entre cinco e sete toneladas”, explica Lindoso. Segundo o pesquisador, trata-se de um animal raríssimo. Possuía o pescoço mais curto que a maioria dos parentes próximos e se alimentava provavelmente de plantas arbustivas e rasteiras. Outra característica marcante eram os longos espinhos ósseos no dorso, formando uma longa corcova parecida com a dos camelos.

As evidências indicam que esses animais habitaram o Nordeste do Brasil no período Cretáceo, tendo o Itapeuasaurus vivido cerca de 96 milhões de anos atrás. A descoberta da nova espécie só foi possível graças a um grupo de moradores locais que integram um grupo de estudos intitulado “Hispedabiotec” e acharam o primeiro fóssil do animal na praia de Itapeua. Eles comunicaram o fato ao Centro de Pesquisa em História Natural e Arqueologia do Maranhão (CPHNAMA), motivando uma expedição paleontológica que teve duração de um mês. O esqueleto recuperado consiste principalmente em vértebras dorsais e caudais.

Segundo um dos colaboradores da pesquisa, o paleontólogo e professor do departamento de Biologia da UFMA, Manuel Alfredo Medeiros, essas não foram as únicas ocorrências de indícios fósseis recuperados no Maranhão. “Podem-se distinguir pelo menos nove formas de dinossauros diferentes já encontradas no registro paleontológico do território maranhense”, revela.

Contribuição a nível global

A identificação do Itapeuasaurus também representa o reconhecimento da praia de Itapeua como nova localidade fossilífera pertencente à Formação Alcântara, que ocorre descontinuamente em falésias litorâneas do norte maranhense e aflora principalmente na Ilha do Cajual. No fim do século XX, esse sítio foi sistematicamente explorado por paleontólogos e atualmente é considerado a principal fonte de conhecimento sobre o Cretáceo médio continental no Brasil. “A descoberta em Itapeua aumenta o número de sítios fossilíferos no Maranhão potencialmente relevantes ao estudo de dinossauros”, destaca Rafael Lindoso.

O professor pontua ainda que, desde a década de 1940, o registro fóssil maranhense tem corroborado de forma inquestionável a Teoria da Tectônica de Placas. Mas, devido ao estado muito fragmentário dos fósseis da Ilha do Cajual, pouca coisa podia ser dita além de que a América do Sul e África um dia compunham parte de um supercontinente chamado Gondwana. “Informações adicionais trazidas com a descoberta de Itapeuasaurus parecem corroborar cada vez mais a hipótese da existência de uma antiga rota migratória proveniente da Europa, passando pelo norte da África e alcançando então o norte da América do Sul em algum momento durante o Cretáceo inicial”, comenta.

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