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Maracanã adota Pedagogia da Alternância como modelo de ensino para Curso de Agropecuária

  • Romulo Gomes
  • publicado 19/09/2019 16h42
  • última modificação 19/09/2019 18h06

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Jacira Pyhkin (à direita) ao lado de outras alunas indígenas do Campus Maracanã

A estudante Jacira Pyhkin Canela, de 20 anos, viajou mais de 400 km desde a aldeia Escalvado Canela, no município de Fernando Falcão, até a capital São Luís, para viver uma nova experiência proposta pelo Instituto Federal do Maranhão (IFMA) – Campus Maracanã. Ela está matriculada no novo Curso Técnico em Agropecuária, que teve início na segunda-feira (16), estruturado com base na metodologia da Pedagogia da Alternância. Não é a primeira vez que o campus adota essa abordagem, mas é uma inovação o trabalho na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e em um curso institucionalizado. Além dessa modalidade, o campus continua oferecendo o curso nas formas Integrado (Ensino Médio e Ensino Técnico) e Subsequente (para quem já concluiu o Ensino Médio).

Isso significa que estudantes maiores de idade terão a oportunidade de fazer o Ensino Médio e o curso técnico, com parte da formação nas instalações do Campus Maracanã, no chamado Tempo Escola, e a outra parte no lugar onde os alunos e alunas moram, no Tempo Comunidade. Essa condição é ideal para jovens como a indígena Jacira. “Para mim, é bom demais ter aulas aqui e depois voltar para a aldeia. Eu queria enfrentar o curso, para saber e conhecer mais. Vou fazer umas atividades em casa, com o tempo tranquilo”, disse, confiante.

“Durante o curso, que terá a duração de dois anos e meio, os estudantes poderão tocar um projeto em casa, que pode ser de hortaliça, de criação de pequenos animais, por exemplo. No Tempo Escola, quando eles vão ao IFMA, poderão tirar as dúvidas de como fazer o ciclo de produção. A ideia é de que, ao final do curso, cada um consiga aplicar o conhecimento teórico que adquiriu aqui na escola”, explicou o membro da Comissão de Seleção e chefe do Departamento de Assistência ao Educando, Dorival dos Santos.

Estão matriculados 59 estudantes dos municípios de Bequimão, Cajari, Fernando Falcão, Igarapé do Meio e da zona rural de São Luís. O Campus Maracanã optou por trabalhar somente com alguns municípios, para facilitar o acompanhamento dos projetos que serão implantados. Professores e técnicos do instituto farão visitas periódicas, com o objetivo de supervisionar as atividades do Tempo Comunidade. “Esses alunos vão ter contato com uma gama de conhecimentos que pode mudar a vida deles e de suas comunidades”, afirmou o chefe do Departamento de Produção e Apoio Didático, José Zenóbio de Souza, ao explicar as possibilidades de atuação do técnico em Agropecuária.

Nos municípios, as prefeituras, por meio de suas secretarias de Educação e de Cultura e Promoção da Igualdade Racial (no caso de Bequimão), comprometeram-se a dar suporte, em acordos de cooperação. Esse apoio já ocorreu na fase de matrículas e de mobilização dos estudantes aprovados. No campus, é garantido alojamento, alimentação e assistência estudantil, nas quatro etapas presenciais previstas. Durante todo o curso, os alunos também receberão bolsas de R$ 120,00.

Preparação

As primeiras experiências com a Pedagogia da Alternância, no Brasil, aconteceram em 1969, no estado do Espírito Santo, local onde foram construídas as três primeiras Escolas Famílias Agrícolas, adaptando o modelo elaborado na França, na década de 1930. Essa história inicial foi resgatada pela diretora geral do Campus Maracanã, Lucimeire Amorim Castro, na aula inaugural do novo Curso Técnico em Agropecuária. Ela experimentou essa metodologia, em sua formação como professora, e sonhava implantar esse sistema no campus.

“Institucionalizar um curso pela pedagogia da alternância é um sonho realizado. Não será um curso com financiamento externo. Isso significa que as horas dedicadas ao curso contam na carga horária dos nossos professores e que os alunos são regularmente matriculados como os demais. Assim, vamos garantir continuidade, independente de formalização de convênios”, comentou Lucimeire.

Os profissionais envolvidos passaram por capacitações específicas sobre a pedagogia da alternância e, para a concepção dos planos de curso, a equipe de coordenação foi beber na fonte, fazendo visitas a Escolas Famílias Agrícolas. “Precisamos aproveitar essa experiência acumulada, para garantir que as portas não se fechem para quem já conseguiu chegar aqui. Vamos fazer com que a Pedagogia da Alternância seja uma realidade e uma referência para todos, respeitando as identidades que vêm das comunidades”, concluiu a diretora geral.

O curso é coordenado pelo professor Arnaldo Cunha. Participaram da aula inaugural os representantes do Núcleo de Estudos e Pesquisas Afrobrasileiros e Indígenas, Hérliton Nunes, e do Núcleo de Atendimento a Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas (NAPNE), Elizângela Cerqueira.

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