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Projeto de ostras do Campus Maracanã ganha 1º lugar em fórum de extensão

  • Romulo Gomes
  • publicado 20/09/2019 17h40
  • última modificação 20/09/2019 17h41
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O trabalho do Núcleo de Maricultura do Campus Maracanã (Numar) envolvendo pescadores e marisqueiros dos municípios da Raposa e de Bequimão foi reconhecido com o primeiro lugar no eixo temático Tecnologia e Produção, do Fórum Integrado de Extensão das Instituições de Ensino Superior do Maranhão, que aconteceu na terça (17) e quarta (18), na Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Nas duas comunidades atendidas pelo projeto, foram realizadas capacitações e, depois, as equipes atuaram na implantação de sistemas de cultivo de ostras nativas.

Nas oficinas mais teóricas, os trabalhadores e as trabalhadoras que vivem a lida diária no mar puderam conhecer mais sobre a biologia das ostras, empreendedorismo e cooperativismo. Para quem tinha o costume de pescar e mariscar na forma de extrativismo, foi uma surpresa saber que era possível cultivar ostras. “Demonstramos que o cultivo é uma forma ainda mais produtiva e sustentável, porque garante a manutenção e preservação dos bancos naturais”, explicou a estudante da Licenciatura em Ciências Agrárias, Melissa Moraes, que representou a equipe do Numar, orientada pela professora Izabel Funo.

As capacitações se estenderam por 12 meses, em aulas expositivas, mas também dialogadas. “Isso quer dizer que a nossa equipe apresentava o conhecimento científico, mas também recebia o conhecimento tradicional, para uma aula mais completa. Inclusive, o planejamento das atividades era feito em conjunto. Foi assim que atentamos para o fato de que eles preferiam as oficinas quando a maré não estava boa para mariscar, porque, quando estava boa, eles precisavam trabalhar”, comentou Melissa. Também foi aplicado um questionário socioeconômico, para que a equipe de extensão conhecesse melhor a situação das comunidades.

Depois das aulas teóricas, chegou o momento de praticar. Em Raposa, foi construída uma unidade experimental no sistema de cultivo flutuante, conhecido como “balsa”. Sete famílias cultivaram, por oito meses, a ostra nativa da espécie Crassostrea rhizophorae. No município de Bequimão, três famílias trabalharam com a espécie Crassostrea gasar, por nove meses, no sistema de cultivo chamado de “cama”. As larvas dessas ostras foram coletadas do ambiente natural dessas comunidades.

Além do projeto de extensão, o Numar desenvolveu pesquisas que apontaram a região estuarina dos dois municípios como promissora para o cultivo de ostra. “Essas investigações incluem a análise de água, salinidade, Ph e biometria das ostras. Comparando com outros estudos, verificamos que as condições estavam adequadas, favorecendo o crescimento das ostras nesses dois experimentos”, destacou a professora Izabel Funo, doutora em Recursos Pesqueiros e Aquicultura.

Aprendizado

A equipe do Numar foi às comunidades para ensinar as técnicas de cultivo, mas também aprendeu muito. “Na avaliação dos trabalhos, teve gente que falou: se tivesse feito mais limpeza nas estruturas de cultivo, as ostras cresceriam mais, porque a água circularia e as ostras teriam mais disponibilidade de alimentos. Ou seja, eles compreenderam o que é o cultivo de ostra, como elas se alimentam e a importância de realizar todo esse manejo”, relembrou Melissa.

O contato com a extensão resultou em outros aprendizados. Para o estudante da Licenciatura em Ciências Agrárias, Paulo Protasio, também aluno do Numar, as idas às comunidades fizeram com que ele recordasse a infância difícil no município de Presidente Juscelino, onde nasceu e cresceu. “A gente se depara com jovens que não têm acesso a uma universidade e você lembra tudo que já viveu, das lutas que enfrenta diariamente. Esses momentos são de extrema importância para nós enquanto professores em formação”, concluiu o estudante.

O projeto de extensão do Numar recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema) e apoio da Prefeitura Municipal de Bequimão. O evento em que o trabalho foi premiado integrava a programação do 46º Encontro Nacional do Fórum de Pró-reitoras e Pró-reitores de Extensão das Instituições Públicas de Educação Superior Brasileiras (FORPROEX).

Trabalho premiado: Ostreicultura familiar solidária no Maranhão

Autoria: Melissa Moraes, Paulo Protasio, Leuzanira Pereira, Ernandes Silva e Izabel Funo.

Outro trabalho apresentado: “Conhecimento tradicional de remanescentes de quilombos no município de Bequimão – Maranhão, Brasil”

Autoria: Paulo Protasio, Edivânia Silva, Josinete Monteles, Vanessa Ferreira e Izabel Funo.

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