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Egresso do IFMA supera adversidades e se destaca nas maiores universidades do mundo

O ex-estudante do curso técnico em Eletrotécnica do Campus Imperatriz se graduou em Ciência da Computação na França, cursa mestrado em inteligência artificial, trabalhou nos Estados Unidos e foi  palestrante em evento que contou com a participação de Barack Obama
  • Cláudio Moraes. Fotos de arquivo pessoal.
  • publicado 25/09/2019 15h09
  • última modificação 25/09/2019 15h27

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Apaixonado por ciências, matemática e tecnologia. Assim se define o ex-estudante do IFMA Roger Leite Lucena na maior rede social profissional existente no mercado. Nos últimos 4 anos, trabalhou nos Estados Unidos e nos grandes centros brasileiros sempre com tecnologia. Foi engenheiro assistente em Miami/USA, engenheiro de software (desenvolvimento de jogos) em São Paulo, pesquisador no departamento de inteligência artificial no Stanford Research Institute, na Califórnia (USA), e engenheiro de Software (desenvolvimento web) no Rio de Janeiro.

 

Aos 24 anos de idade, reside em Paris onde vai concluir o mestrado na mesma área em que se graduou: Ciência da computação e matemática aplicada com foco em inteligência artificial e visão computacional. “Em março do ano que vem termino as aulas e então pretendo fazer a minha tese já na indústria, em alguma empresa provavelmente aqui perto em Londres ou Zurique”, afirmou, com serenidade, o imperatrizense Roger.

Ex-estudante do Instituto Federal do Maranhão, IFMA Campus Imperatriz, entre 2010 e 2012, onde cursou o ensino Médio integrado ao curso técnico em Eletrotécnica, Roger aproveitou as férias escolares na École Polytechnique (Paris) – instituto francês que integra pesquisa, ensino e inovação de alto nível na vanguarda da ciência e da tecnologia – para apresentar a sua trajetória a 180 estudantes do campus, no final de agosto deste ano. “É sempre um prazer estar de volta, compartilhar um pouquinho do que tenho vivido e tentar estimular o pessoal a sonhar um pouco mais longe – independente de origem em escola pública, condição financeira ou limitações das mais diversas”, afirmou o Engenheiro de Software aos atuais estudantes do IFMA do campus.

“Não desista do que você sonha, se discipline para alcançar porque se você quer de verdade e está disposto a se dedicar e correr atrás, é possível”, afirmou. “Não precisa estar no Sudeste para ter acesso às melhores faculdades de lá, ou nascer em família rica para sonhar grande”, prosseguiu. “Converse com professores, se descubra no sentido do que sonha estudar como faculdade e trabalhar em seguida, ou esclareça apenas o primeiro passo”, disse, “E, então, não deixe ninguém ou qualquer situação te frear na corrida em direção àquilo, cave suas oportunidades e faça acontecer”, continuou.

 

A trajetória de Roger

A ida de Roger à França se deu por transferência de sua vida acadêmica do ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica no Brasil, em São Paulo, onde foi aprovado em 2º lugar, no vestibular em 2013, aos 18 anos, numa disputa com 7.200 candidatos. Durante a preparação para enfrentar um dos mais concorridos vestibulares do país, dedicou-se, por 7 ou 8 horas, ao estudo diário, em que também devorava livros que iam de Sherlock Holmes e do clássico Viagem ao Centro da Terra, de Júlio Verne, à Bíblia e à Machado de Assis.

Orfão de pai aos 6 anos de idade, vivia com a avó, a mãe Neuma Leite e o irmão Renner Leite Lucena em condições modestas na segunda maior cidade do estado do Maranhão. Mas nada disso o impediu a construir um currículo respeitável, antes mesmo de ingressar a graduação. Foi o 1º colocado nos vestibulares para Medicina na Universidade Federal do Ceará, para Licenciatura em Física da Universidade Estadual do Ceará e para a Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante. Conquistou, ainda, o 2º lugar no vestibular para o curso de Engenharia Civil na Universidade Federal do Tocantins, o 3º lugar no curso de Medicina no Instituto Tocantiense Presidente Antonio Carlos e foi o 4º colocado no concurso para admissão à Escola Naval, para formação de oficiais da Marinha Mercante. Foi aprovado, também, nos vestibulares do Instituto Militar de Engenharia (RJ), em Medicina na Unifor e na Escola Preparatória de Cadetes do Exército.

 

Roger afirma que o desejo pelo ITA se deu desde o fim do ensino fundamental, após enfrentar uma das questões do vestibular da instituição. “Achei mega interessante e desafiador, fui procurar pelo ITA na internet e o que encontrei foi ‘trabalhar e estudar na fronteira da ciência e tecnologia no Brasil’,” afirmou. ”Aquilo imediatamente se transformou no meu objetivo, pois eu sabia que aquilo abriria portas acadêmicas e profissionais para o futuro, no Brasil e no exterior, me daria poder de escolha e eu estaria em contato com muita gente interessante e muito inteligente no caminho”, prosseguiu.

 

“O IFMA me colocou em contato com vários alunos muito bons e motivados em Imperatriz e alguns até compartilhavam o sonho do ITA comigo – o que era bem estimulante e criava um ambiente ótimo para trocar ideias, problemas e se motivar para sonhar mais alto”, avaliou. “Foi também no IFMA que tive o primeiro contato com olimpíadas acadêmicas em escala nacional, o que foi um bom diferencial para conhecer como era o nível no resto do país e me desafiar cada vez para alcançar o nível necessário para os vestibulares que eu enfrentaria”, relembrou.  “No IFMA também conheci professores muito especiais, como Glauco Hebert, que me desafiavam e estimulavam para olimpíadas, provas especiais, além de abrirem oportunidades para o que viria pela frente”, pontuou. “Por isso também sou muito grato”, disse.

Roger conquistou uma medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Química e uma medalha de ouro na Olimpíada Maranhense de Química. Obteve, ainda, 2 medalhas de prata e uma medalha de bronze na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas. E, na Olimpíada Brasileira de Física, beijou as suas 2 medalhas de bronze e 1 de prata.

 

 

Fé, persistência e apoio da família

Na avaliação de um dos organizadores do encontro de Roger com os estudantes do campus em Imperatriz, seu ex-professor José Silva Machado, a sua volta ao IFMA, foi um dia muito importante, de celebração e aprendizado para todos. “Ele mostrou que, apesar de todas as dificuldades que a vida nos impõe, é possível sonhar grande e realizar os sonhos”, avaliou. “Basta ter perseverança, dedicação e sobretudo fé em suas capacidades”, complementou.

 

Essa fé e persistência são uma marca na vida do ex-estudante do IFMA. “É preciso muita dedicação, foco, disciplina, estudo sistemático e clareza de objetivo”, afirmou Roger. “É preciso visualizar o objetivo acontecendo e estar conectado a ele, com disposição para sacrificar outras coisas e colocar o estudo em 1o lugar como caminho para realizar aquele sonho”, prosseguiu.

Roger afirma, ainda, que o alcance das vitórias só foi possível por “ter uma família fantástica” ao seu lado. Em 2012, o egresso do IFMA se mudou para Fortaleza, como bolsista de uma escola preparatória para ingresso no ITA. Não conseguiu, de imediato, a aprovação desejada mas não desistiu. A sua mãe, então, no ano seguinte, deixou o emprego de secretária em Imperatriz e se mudou com o filho mais novo para a capital cearense, onde trabalhou como ajudante em um restaurante. Ela complementava a sua renda com o aluguel da sua casa em Imperatriz e com doações da irmã. “A minha mãe, mesmo não tendo concluído ensino médio, sempre esteve presente me estimulando nos estudos. Ela sempre me inspirou muito como um exemplo de perseverança e superação de dificuldades, desde financeiras até ao complexo desafio de criar dois filhos homens sozinha. Ela faz parte de todas essas vitórias, sou muito grato a ela”, afirmou.

 

“Tenho que agradecer, também, ao meu irmão mais novo, que participou ao meu lado de boa parte de tudo isso e sempre estava lá como meu companheiro e melhor amigo, me dando força”, afirmou. “Aos tias e tios que sempre ajudaram e estimularam, família como um todo, obrigado, não daria para ir tão longe sem vocês”, disse.

 

Novos desafios

Roger se tornou bolsista da Fundação Estudar em 2014, concorrendo com 31.007 candidatos, recebeu bolsa de excelência do governo francês entre 2016 e 2019 e foi aprovado para concluir o seu mestrado na Technical University of Munich.

A fé e persistência de Roger o levou a ser palestrante na 7ª edição do VTEX DAY, maior evento de inovação digital da América Latina, realizada em maio deste ano, em São Paulo e que contou com Barack Obama também como palestrante. “Foi uma surpresa, pois eu tinha pouco tempo na empresa, dois meses apenas, quando me convidaram para falar no evento e ajudar a apresentar um pouco das tecnologias em que estávamos trabalhando e do produto que estava no coração da estratégia da companhia”, afirmou. “Dado o tamanho do evento, com mais de 15 mil pessoas neste ano, deu um frio na barriga, mas tomei como uma oportunidade de amadurecer profissionalmente e poder contribuir um pouco mais também”, prosseguiu. “Foi uma experiência super bacana e que lembro com carinho hoje em dia”, disse.

A sua mais recente conquista foi o ingresso na Universidade Sorbonne, classificada com uma das melhores universidades da Europa e do mundo. Quando concluir os estudos do mestrado, um mundo de possibilidades se abrem. “Posso voltar imediatamente ao Brasil ou trabalhar por algum tempo na Europa ou nos Estados Unidos como estive trabalhando ano passado”, confidenciou Roger. “Quero ganhar uma bagagem maior de experiência e então considerar empreender”, prosseguiu. “Sei que quero continuar trabalhando com tecnologia, talvez da interface entre pesquisa e indústria”, continuou. “Gosto da área do meu mestrado, inteligência artificial e visão computacional, além de que tenho acumulado experiência nos últimos anos como engenheiro de software”, disse. “Acredito que muito do futuro vai estar acontecendo em torno disso e quero poder participar e contribuir, deixando um legado que possa ser construtivo para a sociedade, pondo em prática tudo que tenho conseguido aprender nos últimos anos”, concluiu.

E, pra fechar, ele cita Henry Ford: “aqueles que acreditam que vão conseguir e aqueles que acreditam que não, ambos estão certos”.

Aproveite e inspire-se na música que Roger aprecia: “Se fosse fácil achar os caminhos das pedras, tantas pedras no caminho não seriam ruim” (Engenheiros do Hawaii), “Nenhum de nós sabe exatamente pra onde vamos, nenhum de nós sabe exatamente onde vai parar ” (Humberto Gessinger), “Eu moro em qualquer lugar” (Legião Urbana), “Se todos fosse iguais a você, que maravilha viver” (Tom Jobim) e “Somos que podemos ser, sonhos que podemos ter” (Vogal).

Somos Quem Podemos Ser (Engenheiros do Hawaii/Vogal)

Um dia me disseram
Que as nuvens não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos às vezes erram a direção

E tudo ficou tão claro
Um intervalo na escuridão
Uma estrela de brilho raro
Um disparo para um coração

A vida imita o vídeo
Garotos inventam um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez
Nós
Somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter

Um dia me disseram
Quem eram os donos da situação
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem essa prisão

E tudo ficou tão claro
O que era raro ficou comum
Como um dia depois do outro
Como um dia, um dia comum

A vida imita o vídeo
Garotos inventam um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez

Nós
Somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter

Um dia me disseram
Que as nuvens não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos às vezes erram a direção

Quem ocupa o trono tem culpa
Quem oculta o crime também
Quem duvida da vida tem culpa
Quem evita a dúvida também tem

Somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter

 

 

 

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