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Veículo elétrico do IFMA conquista 7ª colocação na Shell Eco-Marathon

Competição que escolhe os veículos mais eficientes em termos de energia foi realizada no Rio de Janeiro-RJ, em setembro.
  • Assessoria de Comunicação
  • publicado 07/10/2019 11h22
  • última modificação 07/10/2019 11h22

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A Equipe Roots, do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), conquistou a 7ª colocação entre 19 equipes da categoria elétrica da Shell Eco-Marathon Brasil 2019, uma competição que escolhe os veículos mais eficientes em termos de energia. O evento foi realizado no Rio de Janeiro-RJ, no período de 16 a 19 de setembro. O carro construído pelos estudantes do Campus São Luís-Monte Castelo atingiu a marca de 65.6 quilômetros por Kilowatt/hora na categoria bateria elétrica, alcançado a melhor posição entre as equipes participantes do Norte e Nordeste.

Protótipo elétrico construído por estudantes do IFMA conquistou a 7ª colocação na Shell Eco Marathon Brasil.

A Shell Eco-Marathon desafia estudantes de todo o mundo a projetarem, construírem e pilotarem veículos mais eficientes em termos de energia. Na etapa realizada no Brasil, houve a participação de 37 equipes do Brasil, Argentina e Equador. A maioria das instituições participantes foram do Sul, Sudeste e Centro-Oeste brasileiro. Do Norte e Nordeste participam apenas duas equipes do IFMA e duas da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA).

A prova foi realizada nos armazéns 2 e 3 do Pier Mauá. O protótipo elétrico esse ano foi aprovado de primeira na inspeção técnica e foi para a prova na pista. O veículo conseguiu concluir as 7 voltas solicitadas pela competição e obteve marca válida, ficando em 7º lugar entre 19 equipes da categoria elétrica. “Para nós que não temos muito apoio e patrocínio, esse foi ano de muitas conquistas para a equipe, embora muitos possam não achar isso devido ao fato de não ter conseguido um troféu e prêmios”, disse a aluna do Curso de Engenharia Mecânica e servidora do IFMA, Luzia Valentim da Silva, uma das integrantes da Equipe Roots.

Na prova, ganha quem percorrer a maior distância com menos combustível. A campeã desse ano na categoria etanol, por exemplo, fez 720 km/l, uma equipe do Paraná que já vem desde 2009 trabalhando nesse carro.

Protótipo a combustão

A Equipe Roots levou também para a maratona um protótipo a combustão, que chegou a ser aprovado na inspeção técnica e de segurança, mas teve problemas na pista e não conseguiu validar marcas. Trata-se de um protótipo mais complexo, mais robusto, que precisa de mais recursos, tanto financeiro como de conhecimento. “Nós fizemos o protótipo totalmente seguindo as regras, tanto que foi aprovado sem nenhum pedido de alteração, e a inspeção da competição é muito rigorosa, os técnicos em sua maioria nem são do Brasil”, comentou Luzia Valentim da Silva.

Protótipo a combustão da Equipe Roots apresentou problemas e não atingiu marca válida na pista. 

Os integrantes da Equipe Roots tiveram quatro dias para preparar os carros, passar na inspeção, rodar na pista e conseguir marcas válidas de eficiência energética. No primeiro dia da competição, as equipes têm que se instalar nos boxes e montar os carros, caso necessário. Os estudantes precisam levar tudo que precisam para participar da prova, desde ferramentas, furadeira, até cola.

Os alunos do IFMA perderam tempo no primeiro dia da prova, pois precisaram dedicar o tempo do primeiro dia para ir buscar o veículo na empresa que transportou os carros. “Tivemos problema com os fretes que contratamos e não apareceram. Acabamos perdendo metade do dia nessa logística e como precisamos mandar os carros desmontados, para facilitar o transporte pela empresa, tivemos muito trabalho para remontá-los lá no Rio de Janeiro, tanto que só pudemos ir para a inspeção no segundo dia à tarde. Nos liberaram da inspeção no terceiro dia no fim da manhã, foi quando pudemos fazer as voltas teste”, descreveu Luzia Valentim da Silva.

Nas voltas de teste, o protótipo a combustão apresentou os primeiros problemas. “Quebrou um mancal, que nós conseguimos consertar com solda e material que levamos. Depois, no último dia, apresentou outros problemas que não tivemos recursos para consertar lá na hora. Não conseguindo nenhuma marca válida, infelizmente. O protótipo elétrico também apresentou problemas na pista, mas foram solucionados”, informou a aluna.

Construção dos veículos

Os veículos foram totalmente construídos pelos alunos, desde a concepção dos protótipos, desenhos, simulações, até a construção mesmo, soldagem, pintura. Tudo é feito com os conhecimentos aprendidos em sala de aula, com ajuda de alunos mais antigos e professores, até mesmo a parte de programação, circuito elétrico e injeção eletrônica.

O chassi (esqueleto) dos carros foi feito de tubos de aço e as carenagens (parte externa) de polipropileno e PVC. “Não que sejam os melhores materiais, mas eram os melhores, em questão de peso e maleabilidade, que tivemos a possibilidade de comprar. Na competição a maioria das equipes utiliza fibras de vidro e carbono para carenagem e tubos de alumínio para o chassi, por exemplo. Nós não usamos por causa do preço que é alto e da falta de conhecimento para fabricar com um material desses (a maioria das instituições têm uma empresa parceira do ramo que auxilia os alunos na produção do protótipo)”, explicou Luzia Valentim da Silva.

Equipe Roots dividiu as tarefas para conseguir levar dois protótipos para a competição. 

Cada veículo tem um piloto. Foi escolhido, dentre os componentes da equipe, o menor e com menor peso para ajudar na eficiência. É que quanto menor e mais leve o carro for, melhor.

Os dois veículos construídos são “novos”. “Voltamos da competição ano passado e decidimos fazer algumas mudanças, que devido a experiência que tivemos lá, julgamos necessário para a melhoria dos protótipos. Digo ‘novos’ porque a concepção foi nova, mas reaproveitamos bastante coisa dos carros antigos”, disse Luzia Valentim da Silva.

A Equipe Roots é atualmente composta por 18 alunos dos cursos de Engenharia Mecânica e Elétrica. A equipe é uma só, mas para questões de distribuição de tarefas e inscrição na competição, foi dividida. A Equipe Roots – Protótipo a Gasolina foi composta pelos alunos, todos de Engenharia Mecânica, Bárbara Sampaio Alves Lima, João Fagner da Cunha, João Marcos Barbosa Araújo, Luís Felipe Conceição Castro, Luís Henrique Oliveira Assunção, Luzia Emanuelle Rodrigues Valentim da Silva, Sthephany Karolyne Sousa Sousa e Márcio José Everton Pereira, o piloto do veículo, e Monike Allana Viana Lima, a capitã do grupo. Já a Equipe Roots – Protótipo Elétrico ficou sob a responsabilidade dos alunos de Engenharia Mecânica Andre Vinicius Carvalho Pereira do Nascimento, Caio Fábio Costa Setubal, Danilo Sousa Martins e Marcus Vinicius Everton Martins, além dos estudantes de Engenharia Elétrica Ingrid Beatriz Chaves Pereira, Sanayra Gabrielly Ferreira Cardoso, Saulo Roberto Silva Chmielswki e Daniel Carvalho Ribeiro, o piloto, e Dieliton Fonseca Vieira, o capitão.

Recursos

A equipe tem pouco recurso financeiro – apenas dois patrocínios de componentes eletrônicos e, tirando o apoio do IFMA com infraestrutura e alguns maquinários e alguns recursos de projetos que o professor Keyll Martins, o coordenador do projeto, consegue para compra de material de consumo, o restante do recurso financeiro que se precisa para desenvolver os protótipos é conseguido pelos alunos.

Os estudantes fazem rifas, promovem minicursos e, este ano, conseguiram uma barraca junina em um arraial da cidade. “Trabalhando exaustivamente por 18 noites, mas foi o que propiciou a compra de materiais para a conclusão dos protótipos, incluindo a compra de uma injeção eletrônica (que custou por volta de R$ 6.000,00, somando a injeção, frete, e taxas alfandegárias) e também nos permitiu ir ao Rio de Janeiro, pagando o transporte dos dois carros e custeando uma parte da hospedagem dos alunos”, relatou Luzia Valentim da Silva.

Este ano, devido aos cortes de verbas federais para o IFMA, não foi disponibilizado o ônibus para transportar os estudantes e os carros. Foi dada somente uma ajuda de custo que pagou as passagens de avião dos alunos e parte da hospedagem. “[Viajar de avião] foi muito mais cômodo para nós, claro, mas em relação aos protótipos, não. Tivemos problemas com transportadoras, com frete, com essa logística toda de transporte, fora o dinheiro que tivemos que gastar. Até hoje os protótipos ainda não chegaram de volta ao campus”, afirmou a aluna e servidora.

Outra dificuldade relatada é a falta de um local apropriado para os testes, que são realizados improvisadamente no estacionamento do IFMA Campus São Luís-Monte Castelo, depois das 22h, quando o local fica desocupado. Dessa forma, os estudantes não tiveram como testar efetivamente os protótipos antes das provas.

Força de vontade

A principal dificuldade da Equipe Roots, segundo os estudantes, é recurso financeiro para desenvolver o projeto. “Não é um projeto pequeno fácil de transportar, e não é barato, tem componentes que não se encontra no Brasil e para se chegar a um nível de competir de verdade com as equipes de fora é preciso investir. Então os alunos, além de projetar, construir, resolver os problemas dos carros, precisam se preocupar em conseguir dinheiro para desenvolver tudo isso”, disse Luzia Valentim da Silva, que também destacou a força de vontade dos integrantes da Equipe Roots. “É um grupo de alunos que acreditam muito no que fazem (falo agora como servidora da área de educação). Eles realmente acreditam que esse projeto vai fazer diferença na vida deles, e vai! Já tá fazendo. São alunos que conseguem aplicar na prática o que aprendem na teoria e para um curso de Engenharia isso é muito importante”, comentou.

Luzia Valentim da Silva explica o perfil dos estudantes que participam da Equipe Roots. “São alunos que desenvolvem projetos, são ativos na instituição e têm destaques tanto na área de ensino como na pesquisa e extensão. Alguns deles são do interior do Estado (Tuntum, Anajatuba, Colinas, Itapecuru, Miranda do Norte,Imperatriz, Mirinzal) e estão em São Luís somente por causa dos estudos. Eles se sustentam com as bolsas de iniciação científica e são bons alunos. Não faltam aula, trabalham no projeto da Equipe Roots, desenvolvem seus projetos individuais, participam dos projetos de extensão. Semana passada, por exemplo, concluímos um projeto de extensão na comunidade da Vila Passos, também sob a coordenação do professor Keyll”.

Histórico de competições

A equipe já existe há alguns anos e já participou de outras competições de eficiência energética. Esta foi a terceira participação na Shell Eco Marathon. A ideia de começar a participar da competição foi dos alunos Anthony Alencar, Gleydson Oliveira, Kaio Barbosa e Lucas Pablo Brandão, que souberam das competições de eficiência energética que ocorriam no país, se interessaram em participar, pediram o apoio do professor Keyll Martins para orientar e foram iniciando. Eles conseguiram um motor doado e, nessa época, garantiram também algum recurso pelo IFMA para compra de alguns materiais. Foram eles os responsáveis por construir o primeiro protótipo do IFMA, batizando a equipe de Equipe Roots. “Aos poucos, o projeto foi se desenvolvendo e ampliando, acabando por se tornar referência no campus na construção de veículos, assim como a Equipe Guará virou referência na área de aeromodelismo”, relembrou Luiza Valetim da Silva.

Porém esse é um projeto que se demanda muito tempo e muito trabalho, de acordo com a aluna. “A equipe sempre ficava muito pequena e pouca gente é complicado de conseguir desenvolver um projeto desse tamanho. Até o ano passado eles ainda faziam parte da equipe, hoje estão se formando, o Kaio já é aluno do mestrado de Engenharia Mecânica aqui do IFMA. Essa composição de equipe [que participou da Shell Eco Marathon deste ano], se formou no início do ano passado, com o processo seletivo que fizeram, e alguns alunos entraram no deste ano e, como comentei, estes são alunos que realmente se engajaram, se interessaram em aprender com os alunos mais antigos e dessa forma conseguimos melhores resultados”, relatou Luiza Valetim da Silva.

Divisão de tarefas

Segundo Luiza Valetim da Silva, é difícil conciliar as atividades dos projetos com as disciplina e pior ainda para quem trabalha. Por isso, é preciso organizar e distribuir as tarefas. Todo início de período letivo, de acordo com ela, é verificado um horário em que todos os integrantes da equipe estejam disponíveis na semana, para que possam ser feitas reuniões. É articulada ainda uma divisão dos trabalhos. Cada grupo se articula para realizar as atividades em horários compatíveis. “Temos grupo que é responsável por chassi, outro por direção e freio, carenagem, eletrônica embarcada, elétrica e injeção eletrônica…”, disse.

Para a servidora e aluna, a participação dos alunos em projetos como esse é de grande importância para os estudantes e também para a instituição. “Um aluno que tem uma vivência dessa, sai com uma nova visão para o mercado de trabalho, uma nova postura. Ele adquire conhecimentos não só técnicos, cortar, soldar, pintar, programar, mas conhecimentos pro mercado de trabalho e pra vida. Ele aprende a trabalhar em equipe, a ficar sobre pressão (durante os 4 dias de competição em que precisamos montar os carros, aprovar os carros e marcar pontos a pressão é muito grande), se aprende convivência, a aceitar a opinião do outro, a aceitar lideranças e ordens algumas vezes. É uma forma também de aproximar o aluno do campo de trabalho, de experiências práticas”, comentou.

Luiza Valetim da Silva explicou ainda que os projetos voltados para competição também estimulam os estudantes, principalmente aqueles que estão longe da família.  “Só o fato de conseguir se superar dá um ânimo muito grande para continuar este curso que todos sabem que não é fácil. Fora, que pra alunos que estão longe de casa, distante dos pais e da família, o laboratório de mecânica automotiva se torna uma segunda casa, e os companheiros de equipe é o mais próximo de família que eles têm em São Luís”, declarou.

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