Ir direto para menu de acessibilidade.
Portal do Governo Brasileiro
  • Acessibilidade
  • Alto Contraste
  • Mapa do Site
  • PortugueseEnglishSpanishChinese (Simplified)FrenchGermanItalian
Página Inicial > Notícias > Notícias (Destaque Foto Grande) > Meninas do IFMA ocupam Assembleia Legislativa do Maranhão
Início do conteúdo da página Notícias

Meninas do IFMA ocupam Assembleia Legislativa do Maranhão

  • Romulo Gomes
  • publicado 09/10/2019 21h00
  • última modificação 10/10/2019 08h09

Imprimir

Deputada Daniella Tema, aluna Jullya Melo (Campus Centro Histórico), aluna Paula Lyatryz (Campus Maracanã) e deputada Helena Duailibe

Elas têm 16 anos, estudam no Instituto Federal do Maranhão (IFMA) e, nesta quarta-feira (09), ocuparam por um dia o posto de deputadas da Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão. As alunas Paula Lyatryz, do Campus Maracanã, e Jullya de Melo, do Campus Centro Histórico, foram eleitas por outras participantes da Escola de Lideranças para Meninas, da ONG Plan International Brasil, para representá-las nas ações do projeto “Meninas Ocupam”.

Paula Lyatryz, aluna do curso técnico em Agropecuária, ocupou o gabinete da deputada estadual Helena Duailibe (Solidariedade), que também atua na Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa. A estudante acompanhou a dinâmica de trabalho da procuradora, num atendimento com demanda por medicamentos. Depois, ela conheceu o funcionamento do gabinete e seguiu para Plenário, tomando assento ao lado da deputada, para observar os debates sobre as pautas do dia. “Este também é o nosso lugar. Que possamos cada vez mais tomar posse desses espaços e ocupá-los”, convocou a menina.

O gabinete da deputada estadual Daniella Tema (DEM) foi o escolhido pela estudante Jullya Melo, aluna do curso técnico em Manutenção de Máquinas. Quando tomou conhecimento dos órgãos selecionados para a ocupação, a menina ficou entusiasmada com a possibilidade de saber mais sobre a Casa onde as leis estaduais são elaboradas. “Uma das nossas demandas é pelo direito de ir e vir, com segurança. Essa é uma das coisas sobre as quais vim conversar com a deputada hoje. Estamos aqui para falar sobre isso. É o lugar propício, porque aqui é um espaço de elaboração de leis, de regras”, frisou Jullya, ao ressaltar sua preocupação com as situações de assédio e estupro.

A ocupação das meninas aconteceu numa Assembleia Legislativa majoritariamente masculina. Nas eleições de 2018, apenas oito deputadas conquistaram vagas, dentre as 42 cadeiras do Legislativo estadual. Foi um crescimento tímido em relação ao pleito anterior, quando seis deputadas foram eleitas. “As mulheres ainda são usadas por muitos partidos políticos. A prova disso foram as últimas eleições, com vários escândalos de mulheres sendo usadas por partidos somente para cumprir percentual [a Lei nº 9.504/97 estabelece o mínimo de 30% de candidaturas femininas]. Temos mulheres muito boas, que podem ocupar muito mais espaços, se forem realmente abraçadas pelos partidos”, avaliou a deputada Daniella Tema.

Aluna Jullya de Melo ocupa tribuna da Assembleia Legislativa ao lado da deputada Daniella Tema

Trajetória política

Para Daniella Tema, o maior exemplo de força feminina é a sua mãe. “Uma mulher que sempre trabalhou fora, trabalhava os três turnos para manter as três filhas, sempre mostrando a importância de a mulher se destacar, dar o seu melhor e tentar ser o melhor naquilo que faz”, relembrou. Ainda assim, ela reconhece que na trajetória de uma mulher ainda são construídas muitas barreiras. “As meninas têm que ajudar em casa. Há uma discrepância grande entre meninas e meninos. Se começamos a trabalhar a cabeça dessas meninas desde cedo, vamos ter mulheres muito mais fortes, independentes e muito mais confiantes”, defendeu a deputada. Ela disse, ainda, que sua vida na política poderia ter começado mais cedo, caso tivesse vivenciado uma experiência como a do “Meninas Ocupam”.

Já a deputada Helena Duailibe descobriu, primeiro, a possibilidade de ser médica. Para ela, no momento de formação das mulheres, deve ser apresentado um horizonte mais amplo de profissões. “As mulheres podem desempenhar bem qualquer função; não só a função familiar, de casa, mas a função de mulher empreendedora, empresária, política. O fato de uma menina, como a Paula, estar hoje na Assembleia, para acompanhar uma deputada e ver quais são as ações do Legislativo, vai ser um leque importante na hora de decidir qual vai ser sua profissão”, ressaltou.

Aluna Paula Lyatryz ao lado da deputada Helena Duailibe, no Plenário

Meninas Ocupam

A campanha “Meninas ocupam” foi criada em 2016, em comemoração ao Dia Mundial das Meninas (11 de outubro), mobilizando ações nos 72 países em que a ONG Plan atua. O objetivo é dar visibilidade aos direitos das meninas. “Ainda encontramos meninas que ficam com receio de ir a um posto de saúde, porque lá elas podem ser discriminadas e questionadas por pegarem um anticoncepcional, um preservativo”, apontou a coordenadora de projetos da Plan International, Fabiane Sereno.

A ocupação de cargos de gestão é uma estratégia tornar essas demandas visíveis aos meios de comunicação, usando a força que as instâncias de poder têm. A ideia é que essa exposição possa ser convertida em políticas públicas voltadas às meninas. Em cada ocupação, é entregue uma carta de intenções, com a indicação do que elas esperam das autoridades em termos de benefícios para a comunidade.

Além das alunas Paula e Jullya, foram selecionadas mais outras quatro meninas para as ocupações deste ano. Todas participam da Escola de Lideranças, que já possui três turmas nos municípios de Paço do Lumiar, São José de Ribamar e uma exclusiva para estudantes do IFMA. O Instituto também está promovendo a campanha em seus campi e na Reitoria.

Fim do conteúdo da página