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Parceria do IFMA traz estudantes franceses ao Maranhão

Jovens estudantes do Lycée des Mesnières participam de diversas atividades com comunidade do IFMA
  • Marcos Soares | Augusto do Nascimento
  • publicado 17/10/2019 09h12
  • última modificação 17/10/2019 09h15
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Durante toda esta semana, um grupo de estudantes franceses, do Lycée des Mesnières (Normandia, França), participa de uma intensa programação em São Luís, Raposa e nos Lençóis Maranhenses, tendo como temas principais o meio ambiente, recursos naturais, educação, cultura e história. As atividades envolvem a parceria com o IFMA, e se realizam como etapa preparatória para o 6º Fórum Franco-Brasileiro Ciência e Sociedade, que ocorre no Instituto Federal Goiano (IF Goiano, Campus Urutaí), no período de 21 a 25 de outubro.

A passagem do grupo pelo Maranhão é resultado do acordo de cooperação que o Ministério da Agricultura e Alimentação da França vem construindo com o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), o qual abrange os institutos federais (como o IFMA) de todos os estados brasileiros. Esse é o primeiro ano que o Instituto maranhense integra as ações preparatórias para o Fórum, que ocorre alternadamente entre os países envolvidos. A última edição foi na cidade francesa de Arras, em outubro de 2015, com a participação de pesquisadores e professores de estabelecimentos brasileiros e franceses, a fim de identificar meios convergentes de incrementar os vínculos entre as instituições presentes, por intermédio da cooperação internacional.

De acordo com a Diretoria de Relações Internacionais (DIRI) do IFMA, a proposta desta semana que antecede o Fórum é trabalhar prioritariamente as temáticas que capacitem os jovens do Brasil e da França a conhecerem e dialogarem, bem como descobrirem juntos a biodiversidade de ambientes naturais como as florestas, participando da implementação do manejo sustentável desses ecossistemas, através de visitas a locais propícios para esse fim. Dentro da programação, os intercambistas vão conhecer lugares como a reserva ecológica do Sítio Rangedor, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, os mangues e dunas da Raposa, além de percorrerem uma trilha ecológica no campus do IFMA no bairro Maracanã, em São Luís. Do ponto de vista cultural, a agenda conta com passeios pelo Centro Histórico e Madre Deus (ver abaixo), e com uma oficina de gastronomia brasileira no Campus Maracanã.

Professora de educação agrícola na França, Fanny de Oliveira Santos é responsável pelo desenvolvimento do projeto no Brasil, representando o Ministério da Agricultura e Alimentação daquele país, tendo participado da construção do projeto com parceiros brasileiros. Ela reforçou o interesse de promover a cooperação entre os países, mesmo que ainda não tenha sido formalizado um acordo oficial. “Estamos cientes que é importante para o Brasil, e estamos fazendo o acordo para também podermos receber brasileiros na França”, disse Fanny Santos, referindo-se tanto a estudantes e pesquisadores, como a reitores e gestores de instituições que oferecem o ensino agrícola. Para ela, a parceria com o Conif estende as ações de cooperação aos institutos federais de todo o país, favorecendo as perspectivas do trabalho conjunto.

Na última sexta-feira (11), Fanny Santos reuniu-se com o reitor e gestores do IFMA, para tratar do fortalecimento da parceria. O reitor Roberto Brandão avaliou como favorável o contexto institucional para fazer avançar a formalização do acordo entre o Conif e o Governo francês, especialmente com a vinda dos intercambistas ao Maranhão, antecedendo ao Fórum em Goiás. Sobre o IFMA, ele ressaltou também que o Instituto dispõe de campi com vocação agrícola, além de ter assumido no estado a aplicação de exames de proficiência da língua francesa (DELF e DALF), com reconhecimento oficial da embaixada. Outro aspecto de destaque mencionado por Roberto Brandão foi o fato de a formação histórica e cultural de São Luís ter uma relevante presença de franceses, como os próprios intercambistas puderam constatar na abertura da programação da semana (ver abaixo).

À frente da DIRI, Virgínia Freire informou que o IFMA e outros institutos federais aderiram em 2019 ao programa do Ministério francês, fortalecendo sua política de internacionalização. Segundo a diretora, o intercâmbio entre franceses e brasileiros constitui uma troca de experiências científicas, culturais e tecnológicas, e alcança diferentes setores da instituição.

Palestra

Na tarde de sexta-feira (11), Fanny Santos apresentou no auditório Florise Pérola (Campus IFMA São Luís / Monte Castelo) as oportunidades que o governo francês disponibiliza para jovens estrangeiros prestarem serviço voluntário na França, com ajuda de custo. A ajuda de custo do Projeto do Serviço Cívico é no valor de 500 euros e é utilizada para o pagamento das despesas básicas do jovem no país estrangeiro. Jovens brasileiros entre 18 e 25 anos podem pleitear vagas no projeto, caso haja disponibilidade. O período da missão voluntária dura de seis meses a um ano, com jornadas semanais de 24 a 36 horas.

Fanny Santos explicou que o serviço cívico não é nem um emprego, nem um estágio, mas um espaço de engajamento, onde os voluntários trabalham junto aos assalariados, estagiários e demais voluntários das estruturas que os acolhem. “O objetivo dos voluntários é de realizar uma missão que lhes permita agir tanto como agentes de cidadania, quanto no nível profissional, adquirindo competências e experiências”, destacou, esclarecendo que a cooperação se dá em escolas agrícolas. Ela informou que na França existem cerca de 800 escolas agrícolas, sendo 600 particulares e 200 públicas.

“O Ministério da Agricultura fica muito feliz em receber brasileiros, [que] é um povo muito admirado pelos franceses. Porém não temos muito contato com brasileiros, então a presença de voluntários brasileiros seria importante para estreitar esses laços, para que os franceses conheçam mais dos costumes e da cultura brasileira”, relatou a representante francesa. Segundo a DIRI, assim que surgirem vagas em escolas francesas para o serviço cívico, será lançado edital para que os alunos do IFMA possam concorrer, e para que se encontre o melhor perfil do aluno a ser enviado.

Programação

Hostilio Caio Pereira da Costa Filho, coordenador da programação de recepção dos intercambistas franceses no IFMA, informou que a agenda no Maranhão foi organizada de acordo com entendimentos prévios, a fim de contemplar as temáticas de interesse dos visitantes. Segundo ele, cada atividade prevista, prática ou teórica, vai contar com um professor especialista no tema, a fim de que o aproveitamento dos estrangeiros seja o melhor possível. Caio Filho, que coordena o curso técnico em Agroindústria no Campus Maracanã, enfatizou que também foi planejada a integração com alunos do IFMA, e dois discentes e um professor irão acompanhar a comitiva na viagem a Urutaí (GO), para o Fórum Franco-Brasileiro.

Na manhã de segunda-feira (14), a abertura da semana envolveu visitas ao Cemitério do Gavião, no bairro Madre Deus, e ao Museu da França Equinocial, no Centro Histórico. Segundo Arnaldo Cunha de Aguiar Junior, professor de Artes no Campus Maracanã que propôs a atividade, a programação cultural se baseou em iniciativas do pesquisador e escritor Antônio Noberto, que há anos realiza estudos sobre as relações da cultura francesa com a formação histórica da capital maranhense. “Quando surgiu a ideia de os [intercambistas] franceses virem a São Luís, pensei que poderiam conhecer um pouco sobre as personalidades, como artistas e escritores, a partir da proposta de Noberto”, explicou Arnaldo Cunha. Chamado de “Cemitour”, o projeto de visitar o Cemitério do Gavião, o maior dentre os antigos locais da cidade, visou a apresentar informações históricas locais ao lado dos túmulos de vultos da vida maranhense. A recepção contou com o acompanhamento de professores convidados da Escola de Música do Maranhão, que entoaram peças do repertório maranhense durante o percurso. No Museu da França Equinocial, os estudantes puderam apreciar diversas contribuições de franceses para a história do Maranhão, tais os feitos de pioneiros como o conquistador Daniel de La Touche e o padre Claude d’Abbeville.

Coordenador dos intercambistas do Lycée des Mesnières, o professor Philippe Parmentier disse que o grupo foi surpreendido com diversas informações, até então desconhecidas, acerca da participação francesa na história ludovicense. “Penso que tudo o que vimos nesta manhã foi uma boa introdução histórica para a programação da semana de atividades”, disse ele, ressaltando que o conhecimento de acontecimentos passados ajuda a melhor compreender a situação dos tempos atuais, e até do futuro. Philippe Parmentier também observou a diferença climática de seu país de origem com as regiões tropicais úmidas, outro fator que muitos estudantes da França não têm a oportunidade de conhecer pessoalmente, bem como a herança cultural da América Latina. A respeito do Fórum da próxima semana, o professor informou que o grupo vai apresentar trabalhos desenvolvidos em aula, sobre a gestão dos meios naturais e a biodiversidade, inclusive com as contribuições do que vierem apreender durante a estadia no Maranhão.

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