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Participação feminina na pesquisa científica vem crescendo no IFMA

Mulheres pesquisadoras já detém o maior número de depósitos de patente na instituição
  • Cláudio Moraes. Fotos de Odinei de Jesus/Fapema
  • publicado 11/02/2020 18h21
  • última modificação 11/02/2020 18h39

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O Instituto Federal do Maranhão (IFMA) apresentou, desde 2012, vinte e dois depósitos de patentes. Desse total, quinze, ou seja, 68%, são relativos a projetos de mulheres pesquisadoras.

Cinco patentes são oriundas de mulheres do Campus Monte Castelo e 10 são do Campus Imperatriz, oriundas de uma única pesquisadora: Ana Angélica Macêdo, da área de Química e Engenharia. Ela, também, é a única pesquisadora produtividade de desenvolvimento, tecnologia e extensão do CNPq.

Esses dados foram apresentados pela diretora de Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (PRPGI), Lígia Costa, durante a roda de conversa realizada na manhã desta terça-feira (11), no auditório Florise Peróla, no IFMA Campus Monte Castelo, em programação alusiva ao Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência e na Tecnologia.

No evento, foi promovida uma discussão sobre o papel das mulheres e suas conquistas na pesquisa científica e tecnológica nos últimos anos no Maranhão. De acordo com Lígia Costa, nos editais 2019/2020 de fomento à pesquisa lançados pelo IFMA, foram submetidos 1.019 projetos, sendo 41,2% de mulheres. Desse montante, foram aprovados 609 projetos, dos quais 44% de aprovações são de autoria do sexo feminino.

Nas áreas de Ciências Humanas e Biológicas, há cerca de 40% de pesquisas de mulheres. E nas Ciências Sociais, há um equilíbrio em quantitativo de pesquisadoras comparadas com os homens. Nas áreas de Ciências Exatas e da Terra, o percentual mais significativo é de homens.

“Existe uma representatividade das mulheres na atividade de pesquisa no IFMA, estamos avançando e as mulheres vem ocupando espaços cada vez maiores, pois apesar do menor número de submissão de projetos femininos, elas conseguem maior êxito nas aprovações desses projetos”, pontuou Lígia. “Isso demonstra o mérito e a qualidade do que elas vêm desenvolvendo”, avaliou.

 

O cenário maranhense

A professora Kiany Cavalcante, assessora de Planejamento e Assuntos Estratégico da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema) e professora do departamento de Química do IFMA Campus Monte Castelo, apresentou o cenário da pesquisa no Maranhão. Segundo ela, desde 2015, mais de 50% das propostas submetidas aos editais da Fapema são de mulheres. “Nós temos 49% de mulheres na população mundial e, em termos de Brasil, somos 51%”, afirmou. “O número de cientistas, em relação à população mundial, é em torno de 28 a 30%”, prosseguiu. “Portanto, se comparado ao Maranhão, percebemos que aqui ela tem maior destaque”, destacou.

Porém, para Kiany, a produtividade das mulheres ainda é baixo. “Temos um número significativo de mulheres da população maranhense, de pesquisadoras mulheres em atividade, porém produzindo, mesmo, há número menor”, afirmou.

“A mulher tem que se multiplicar como professora, pesquisadora, como mãe, mulher, esposa e isso é discrepante”, refletiu. “A paternidade deveria ter uma atividade tão intensa quanto a maternidade, mas os pais, na realidade, conseguem se dedicar mais à pesquisa e à sua profissão”, concluiu.

 

Monte Castelo

Segundo a diretora de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do Campus Monte Castelo, Déa Fernandes, há um número significativo de mulheres pesquisando no campus, apesar dessa presença não ser tão firme em todos os departamentos. “Na Matemática, temos uma mulher, nas engenharias temos umas cinco mulheres”, informou. “Ainda não é uma presença tão forte, mas estamos avançando bastante, se compararmos há 5 e 10 anos atrás”, assinalou.

“Há uma cultura, uma essência da Escola Técnica e CEFET que só será rompida mediante um processo de construção”, afirmou. “Hoje a pesquisa no IFMA vem ganhando uma configuração, ano a ano, de fortalecimento, envolvendo outros atores e as mulheres vem crescendo nesse cenário que antes era tipicamente masculino”, concluiu.

Manuelle Serejo é mestranda em Engenharia Mecânica, na área de sistemas de energia no IFMA. Concluiu o curso técnico, graduou-se em Engenharia Mecânica e, agora, no mestrado é a única mulher da área de sistemas de energia. “É uma área predominantemente masculina, mas eu tive a sorte de me inserir num laboratório de pesquisa, desde a graduação, em que não há essa distinção”, explicou.

“É uma equipe formada tanto por homens quanto por mulheres, com projetos de automóveis e, no IFMA, eu nunca senti esse machismo”, afirmou. “Mas quando se sai do laboratório e vai para as empresas…. a gente percebe uma certa resistência por participar de uma área tão técnica”, assinalou.  “Mas em tudo se deve ter persistência e determinação para alcançar os objetivos”, finalizou.

Belyt Andrade, 22, é licenciada em Matemática pelo IFMA em 2018, cursa mestrado em Ensino de Ciências e Matemática na UFMA. “É preciso romper com esse esteriótipo de que essas áreas são somente para os homens”, afirmou. “Quando entrei no curso de Matemática, numa turma de 40 alunos, as mulheres eram 4 ou 5”, relatou. “Sentimos logo um impacto e percebemos que as mulheres precisam se envolver mais nas áreas de engenharias, tecnologias e ciências”, destacou. “Tenho essa preocupação de que os meus alunos e colegas tenham essa visão de que as mulheres podem ocupar esse espaço”, concluiu.

 

Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência

O Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência e na Tecnologia foi instituído pela UNESCO em 2015, em reconhecimento ao papel das cientistas no desenvolvimento econômico e social das nações. A importância da questão da igualdade de gênero é tratada no documento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU 2030.

 

“É um dia de reconhecimento tanto das mulheres quanto das meninas que estão iniciando o seu processo de pesquisa, de docência, de conhecimento”, assinalou Georgiana Marques, uma das fundadoras do Núcleo de Agroecologia do IFMA Campus Monte Castelo, há anos.  “A data nos leva a uma reflexão de que tanto homens quanto mulheres têm o mesmo papel na sociedade”, pontuou.

 

“Ainda não somos igualitárias em quantitativo em relação aos homens nas pesquisas”, prosseguiu Georgiana. “Mas estamos ocupando o nosso espaço, buscando esse padrão de igualdade, desmentindo esse discurso histórico de que somos mais frágeis, que não podíamos participar de áreas que seriam exclusivas dos homens, com a demonstração de todo o nosso potencial e conhecimento”, concluiu.

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