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Porto Franco: comunidade acadêmica do IFMA constitui Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas

  • Assessoria de Comunicação
  • publicado 21/07/2020 12h07
  • última modificação 21/07/2020 12h07

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O Campus Porto Franco tem desenvolvido ações no dia da Consciência Negra, desde 2017

 

Preocupados com as questões étnico-raciais, servidores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA) se mobilizaram para a institucionalização do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas (NEABI) no Campus Porto Franco.

 

O núcleo destacará em suas atividades iniciais, realizadas de forma online, o estudo de publicações para repensar a dimensão pedagógica de questões étnico-culturais, a diversidade e a alteridade na educação.

 

A criação do núcleo permite que o IFMA seja um novo ponto de referência local para pessoas interessadas em conhecer e produzir saberes abertos ao ensino sobre África, Cultura Negra e História do Negro no Brasil e sobre História e Literatura Indígena no Brasil, conforme proposto no marco lega (leis nºs 10.639/2003 e  11.645/08).

 

Para o diretor geral do campus, Cleidson Marinho, que também integra o NEABI, o núcleo “é um espaço de fomento e exercício da prática pedagógica intercultural e de fortalecimento identitários”.

 

O Núcleo no IFMA

Há experiências de núcleos de pesquisa temático em várias unidades da Rede Federal de Educação Profissional Científica e Tecnológica e, desde a fundação desse núcleo de inclusão no IFMA em janeiro de 2010, cada campus passou a criar seu próprio NEABI nas cidades em que o instituto marca presença. E a ideia de fundar o NEABI de Porto Franco surgiu com o propósito de fortalecer práticas educativas já desenvolvidas nos cursos técnicos da instituição.

 

Ações de valorização da afrodescendência têm sido realizadas anualmente em alusão ao Dia da Consciência Negra no campus desde 2017. Palestras, cineclubes, oficinas e apresentações culturais propostas por professores das áreas de Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Linguagens e Códigos aproximaram estudantes e profissionais dedicados às ações afirmativas da região. Exemplos não faltam, como os integrantes do coletivo cultural porto franquino Companhia de Teatro e Dança Arte Livre (CIATDAL), em 2017; o ativista do Coletivo de Negros da UFMA/CONEGRU Rodrigo Freitas (em 2018) e o professor da Universidade Federal do Tocantins – Campus Tocantinópolis – Ubiratan de Oliveira, na Jornada da Consciência Negra em 2019.

 

A temática das relações raciais tem sido percebida como importante parte da vivência em cursos integrados e subsequentes do IFMA. Na avaliação do professor da área de Administração do Campus de Porto Franco, Lindemberg Costa, a criação do núcleo no campus foi uma grande iniciativa “O campus poderá promover debates de ações afirmativas, bem como desenvolver temáticas étnico raciais em conjunto com o ensino, pesquisa e extensão”, ponderou.  “Em 2017 tive uma boa experiência, participando da “Roda de Diálogos” promovida pelo NEABI/IFMA Maracanã, quando apresentei a pesquisa ‘Brancos e Negros: Vantagens em Decisões de Emprego’”. O estudo buscou identificar se candidatos negros têm desvantagens em um processo seletivo a cargo administrativo concorrendo com candidatos brancos. “Foi um debate enriquecedor”, relembrou.

 

O NEABI/IFMA Porto Franco irá ampliar a formação cidadã estruturada para além dos eventos. Dentre seus objetivos está a produção e divulgação de pesquisas próprias e bibliografias sobre a questão étnico-racial, apoio às ações de permanência e êxito escolar dos estudantes autodeclarados pretos, pardos e indígenas e identificação das demandas locais de formação continuada de educadores.

 

Também será possibilitada a diversificação dos projetos de extensão voltados às identidades e relações étnico-raciais, especialmente às de populações negras e indígenas da região, com a participação de servidores membros do núcleos, colaboradores, internos ou externos e estudantes para envolver a comunidade local.

 

Coordenação do NEABI Porto Franco

A fundação do NEABI Porto Franco foi formalizada por meio da Portaria n.º 7 de junho de 2020. Oito servidores passam a compor o núcleo estruturado com o apoio da vice-coordenadora do NEABI Imperatriz Stefânia Cabral.

 

Em assembleia, realizada dia 06 de julho, foram eleitos para a equipe gestora do núcleo, no biênio 2020-2022, Suziany Leite (coordenadora), Ana Raquel Araújo (vice-coordenadora), Marcos Lopes (secretário) e João Fernando Lima (Comunicação e Relações Públicas)

 

Para a coordenadora eleita, Suziany Leite, que já participou de outros núcleos em outros campus do IFMA, o NEABI será um aspecto importante na produção de conhecimento e conscientização. “Será uma grande missão conduzir um espaço demarcado para trazer uma cultura diferente ao campus, como núcleo de fortalecimento, resistência e empoderamento”, frizou. “O NEABI pode ajudar a conscientizar não só os acadêmicos, mas a sociedade em geral, com atividades abertas à comunidade regional”, prosseguiu. “O NEABI representa um espaço de identidade desse público que vive marginalizado na cidade e, por vezes, até no meio acadêmico”, enfatizou. “Não são poucos os relatos de situações de preconceito vividos por eles que levam a problemas psicológicos e evasão da escola, marcando a vida desses sujeitos”, ressaltou. “O núcleo de estudos também se apresenta como espaço de reflexão para todos os interessados no passado do nosso país e região quanto a sua formação cultural”, destacou.

 

 

 

Kátia Ferreira, doutora em Educação em Ciências e Matemática e professora de Química do Campus Porto Franco, fala sobre suas expectativas. “Ser membro do NEABI faz parte de minha formação profissional e humana; espero estabelecer uma importante interlocução com a sociedade e contribuir para a formação de pessoas que se identificam com a causa e participem de ações para a humanização das relações e do ensino escolar”, afirmou.  Kátia desenvolve atividades de pesquisa e ensino com Questões Sociocientíficas (QSC) e considera que o núcleo pode favorecer o processo educacional.

 

“Penso que a abordagem de QSC pode favorecer o envolvimento de sujeitos da educação com as questões étnicos-raciais. Pelo QSC se defende um currículo temático construído com uma relação estreita com os problemas sociais com os quais estão envolvidos os sujeitos dos processos educacionais”, explicou. ‘

 

 

“Inicia-se uma nova jornada e percebo que há muito o que aprender com povos que vêm passando, desde sempre, com um processo genocida: os indígenas e os afrodescendentes” destacou.

 

 

Para a professora de História, Ana Raquel Araújo, o núcleo se configura como o resgate da ancestralidade. “A ideia de fundar o NEABI surgiu a partir da percepção da ausência de discussão sobre as questões étnico raciais no campus de maneira frequente”, afirmou. Segundo ela, a realização de alguns eventos, no campus, como a Jornada da Consciência Negra e a abordagem em sala de aula não são suficientes para abranger a complexidade e a magnitude do tema. “Formar um NEABI traz a possibilidade de desvelarmos o passado, o presente e a cultura dos povos indígenas, africanos e seus descendente, que não tiveram seu valor reconhecido na construção do país, e, ao mesmo tempo, contribui com a formação da nossa identidade de povo miscigenado, que é a essência da nossa nação”, sintetizou.

 

O professor de Sociologia João Fernando Lima ressaltou o papel da instituição para a garantia de direitos humanos: “O trabalho dos NEABIs nos institutos federais tem se mostrado efetivo na construção da educação pública como um espaço etnicamente plural”, avaliou. “O incentivo institucional para produção de pesquisas no núcleo, possibilita, por exemplo, evidenciar as vozes das comunidades tradicionais em Porto Franco e região e conhecer melhor diversidade étnico-racial presente entre os estudantes e suas famílias”, prosseguiu.

 

“Ao desenvolver essa abordagem sensível às ações afirmativas, os educadores locais podem ter acesso à novos dados para leituras mais críticas e propositivas no combate às desigualdades sociais e garantia de direitos”, ponderou. “O NEABI é um espaço de muito valor civilizatório ao produzir conteúdo e preparar pessoas orientadas por políticas públicas para o combate ao racismo e a outras violências simbólicas relacionadas, seja pela via da redistribuição econômica e políticas de acesso ao trabalho com equidade, seja por meio das ações culturais para o respeito à diferença com visibilidade de minorias étnicas e tantas outras”, concluiu.

 

 

Os interessados em participar do grupo, ou em conhecer suas ações, podem entrar em contato pelo e-mail [email protected] e seguir a conta no Instagram @neabiportofranco.

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