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Jornada Intercampi 8M Dia Internacional da Mulher do IFMA acontece por todo o dia

As atividades prosseguem, até às 22 horas, pela plataforma google meet, com carga-horária total de 10 horas
  • Cláudio Moraes
  • publicado 08/03/2021 16h28
  • última modificação 08/03/2021 16h53

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Foi aberta na manhã desta segunda-feira (8/3), a Primeira Jornada Intercampi 8 M – Dia Internacional da Mulher do Instituto Federal do Maranhão, com transmissão, ao vivo pela TV IFMA no canal do YouTube.

O evento online é organizado, de forma conjunta, pelos campi Buriticupu, São Luís Centro Histórico, Itapecuru, Maracanã, Pinheiro e Santa Inês. Também integra a organização, o movimento “Empodera IFMA”, projeto que tem o objetivo de fortalecer o protagonismo feminino na defesa de seus direitos e no enfrentamento à violência, ao assédio e preconceito, existentes na sociedade e instituições.

Para conferir a programação completa, clique no link https://www.even3.com.br/8mintercampiifma/

O evento tem como público-alvo mulheres e meninas do Instituto, de instituições externas e da sociedade em geral e faz referência ao tema adotado, neste ano, pela ONU Mulheres: “Mulheres na liderança: Alcançando um futuro igual em um mundo de COVID-19”.

O início dos trabalhos foi marcado por apresentações culturais: exibição do vídeo “Meninas da Escola de Liderança para Meninas de Buriticupu no Teatro Arthur Azevedo em São Luís/MA”, declamação (por Mary Jheniffer, estudante do curso Integrado em Administração do Campus Buriticupu) do poema “Pense Grande”, de autoria de Mel Duarte, e apresentação musical (pelas estudantes Mary Jheniffer e Rebecca Suassuna, egressa do mesmo curso) com interpretação das músicas “Amarelo, Azul e Branco” e “Triste, Má Ou Louca”.

 

Compromisso com uma gestão de respeito às mulheres

O reitor do IFMA, Carlos César Teixeira Ferreira, fez referência aos números de violência contra a mulher no Brasil, ao julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre a tese da legítima defesa da honra e ressaltou a importância da data. “É uma data muito forte para nos fazer refletir sobre o papel da mulher, suas lutas e conquistas pela igualdade de gênero”, afirmou. Ele destacou, ainda, a responsabilidade do IFMA na formação sadia dos estudantes. “Estamos comemorando 112 anos da rede federal de educação que surgiu para acolher homens e, hoje, com mais de 1 milhão de matrículas, há um equilíbrio no número de homens e mulheres, meninos e meninas”, prosseguiu.

“Quero reafirmar o compromisso por uma gestão de respeito às mulheres, precisamos estimular a desconstrução das práticas machistas e sexistas impregnadas nessa história”, ressaltou.

Carlos César mencionou a ascensão das mulheres em cargo de gestão no IFMA. “Há empoderamento e liderança das mulheres”, afirmou. “Temos duas mulheres pró-reitoras em cargos que sempre eram ocupados por homens”, assinalou. “A Covid-19 revelou um cenário de grandes desigualdades com aspectos relacionados à mulher, mas, em respeito à vida, devemos voltar diferentes”, destacou.

Para o diretor geral do IFMA Campus Buriticupu, Vilson Almeida Souza, “se houvesse uma sociedade justa, não precisaríamos de datas como essa para ressaltar a luta pela igualdade”. Segundo ele, “vivemos tempos em que se precisa de um trabalho organizado para as bandeiras das mulheres de reconhecimento e igualdade; precisamos perceber o quanto é importante o trabalho e o direito das mulheres”, concluiu.

 

Momento nacional

A egressa do curso Técnico de Administração do IFMA e estudante do curso de Letras na UEMASUL, Mariana Morais, reafirmou os propósitos do evento. “Viemos estipular um momento de luta, de mostrar o nosso de lugar de fala”, afirmou. “É um dia criado para homenagear mulheres brutalmente assassinadas numa fábrica”, ressaltou.

 

Para a estudante do curso Técnico em Análises Químicas do IFMA Campus Buriticupu e líder do Coletivo “A Inscrita Insubmissa de Mulheres Negras no Brasil”, Taís Millena, o evento é histórico. “Estamos fazendo história, ao celebramos politicamente o dia internacional das mulheres”, afirmou. “Ninguém solta a mão de ninguém nesse evento, pois sofremos discriminação de gênero, classe e raça e somos sexualizadas e erotizadas desde cedo”, assinalou. “O futuro tem que ser agora, temos o direito de ser menina e o IFMA deve assegurar o nosso direito”, destacou.

 

A Chefe do Departamento de Ensino do IFMA Campus Buriticupu, professora Márcia Costa, informou que em todo o país estão sendo articulados eventos para pensar, avaliar e decidir sobre pautas que visibilizem ações que promovam visibilidade às lutas históricas e atuais das mulheres. “A palavra-chave é liderança, questionar o machismo e ressaltar o feminismo”, afirmou. “Temos um longo caminho a percorrer para educar as pessoas sobre o que é o feminismo”, destacou.

 

Machismo, estereótipos e violência

Após o ato solene de abertura do evento, foi realizada a Mesa Redonda “Covid-19 e seus Impactos sobre Mulheres e Meninas: Ciência, Liderança, Cuidado e Juventude”, com mediação da professora Katiuscia Pinheiro, que é graduada em Direito e licenciada em Sociologia pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Atualmente, desenvolve pesquisa acerca da Intersexualidade.

 

 

Para a vice-presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) no Maranhão, Luiza Coelho, que é estudante do 3º ano do curso Técnico em Eventos do IFMA São Luís Centro Histórico, “o machismo está onde menos se espera”. De acordo com a líder, ele se adapta. “Nas redes sociais nos sentimos podadas em postar o que desejamos”, afirmou. “Nas instituições de ensino o assédio também ocorre, mas elas tem um papel fundamental de construir os indivíduos e acolher a menina, a mulher, a professora….”, prosseguiu. “Há muito machismo e precisamos desconstruir esse espaço de opressão para se tornar um espaço de liberdade”, ressaltou.

Ela destacou, ainda, a sua experiência no IFMA com a sua inserção na pesquisa. As mulheres sempre tem as suas cicatrizes, mas devem, também, falar sobre outras questões, como Teatro ou Química e ocupar o seu espaço na ciência e na tecnologia”, assinalou. “O ingresso no mundo da pesquisa nos traz esperança de dias melhores”, afirmou.

Luiza também ressaltou os dados de violência contra a mulher no atual cenário pandêmico. “A frase que mais se escuta é ‘fique em casa que é mais seguro’, mas é seguro pra quem ?”, indagou. “As mulheres sofrem violência pelo marido e as meninas pelos pais ou pelos mais próximos”, pontuou. “A escola, o médico e o almoço do domingo são espaços de denúncia que já não existem na pandemia”, refletiu. “O Brasil estava em 5º lugar, no mundo, em violência doméstica, antes da pandemia e, após a pandemia, os casos aumentaram muito”, afirmou.

‘É preciso ter políticas públicas de enfrentamento dessa situação, investir no ensino técnico e inserir as meninas na pesquisa, com bolsa de incentivo aos estudos”, propôs.

 

Combate institucional efetivo

Em seguida, participou da mesa-redonda a vice-diretora de Pesquisa da Fiocruz/Pernambuco, professora Constância Lopes, com doutorado em Biologia Celular e Molecular pela Fundação Oswaldo Cruz (2001) e dois pós-doutorados (Liverpool School Of Tropical Medicine e Instituto de Higiene e Medicina Tropical). Segundo ela, a desigualdade é enorme, na política e nos cargos. “Precisamos começar a pensar a acabar com esse esteriótipo de que a mulher deve casar, cuidar da casa e dos filhos”, afirmou. “Os pais e professores devem incentivar as meninas a estudar, a ocupar cargos de gestão e liderança”, recomendou.

Ela afirmou, também que, além da violência, a mulher vivencia vários outros problemas. “Existe o assédio moral, psicológico e as mulheres tem que se posicionar e não aceitar essa atitude”, afirmou. “Cabe a nós, mulheres, não aceitar essa conduta”, disse. “Temos que ficar vigilantes o tempo todo, precisamos acabar com essa cadeia e desconstituir os estereótipos”, prosseguiu. “O machismo está tão arraigado que nem percebemos e precisamos trabalhar as futuras cientistas, professoras e acadêmicas para estarem atentas para não aceitar o machismo e a desigualdade”, finalizou.

Participou, ainda, do debate, a procuradora federal e subprocuradora geral do IFMA, Angela Saldanha, que é graduada em Direito e mestranda do programa de pós graduação em Cultura e Sociedade da UFMA. “Jovens: não se conformem, não mudem o seu jeito de ser, soltem as suas gargalhadas, usem os seus corpos para se expressar e não adotem um modelo falido”, recomendou.

“Não é necessário passar por cima das outras para ter sucesso, nem ser superhumana para ser mulher, nem é preciso nascer mulher para ser mulher”, afirmou. “O estigma do assédio sexual é levado pro resto da vida e sempre vamos encontrar alguém que irá legitimar a atitude do assediador”, ressaltou. “Há uma necessidade de se combater efetivamente isso e não fazer combate de vitrine, pois isso significa violência institucional”, concluiu.

Exposições virtuais

Após o debate, houve exposições virtuais. A estudante Cristine Câmara (UEMA) apresentou a exposição “Mulheres na Ciência”. Em seguida, a professora Aurine Carvalho Rocha (IFMA) e a estudante Yasmin Vieira (IFMA) apresentaram a exposição “A Potência de Doralyce e Outras Mulheres”.

 

 

 

As atividades da manhã foram encerradas com a exposição “Olhares Femininos Em Tempos de Pandemia”, organizado pela professora Ilka Vanessa Santos (IFMA), que foi apresentada pela professora Ana Karine do IFMA Campus Santa Inês.

 

As atividades prosseguem, por toda a tarde pela plataforma google meet. Com carga-horária total de 10h e certificação aos participantes, a programação conta, ainda, com palestras, debates, reflexões e avaliações, voltadas a pautas e ações que promovam visibilidade às lutas históricas e atuais. Além de momentos culturais, as atividades irão abordar saúde menstrual, desigualdades de gênero na ciência, cinema, iniciação científica, política, carreira científica, maternidade e docência, pandemia e aumento de casos de feminicídios, saúde mental, e possibilidades de ensino, pesquisa e extensão no IFMA.

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