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Jornalista do IFMA é premiado em concurso literário do Poder Judiciário

A crônica de Augusto Nascimento, “Maria Firmina em nossos dias”, faz uma reflexão sobre o agravamento da violência contra a mulher  
  • Cláudio Moraes. Fotos: Ribamar Pinheiro/TJMA
  • publicado 16/08/2021 23h48
  • última modificação 16/08/2021 23h55

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O jornalista Augusto Nascimento recebe a premiação das mãos do presidente do Tribunal de Justiça, Lourival Serejo

Pense num cabra da peste, de nascimento do Nordeste que, com augusta simplicidade, transmudou-se em cavaleiro das tormentas para vencer um prêmio de crônicas, numa reflexão sobre a vida da primeira romancista negra do Brasil na pele e na luta de outras marias contemporâneas.

 

Augusto do Nascimento, jornalista cearense de 47 anos, há 12 em São Luís, a um mês de completar 7 anos de trabalho no Instituto Federal do Maranhão (IFMA), conquistou o 3º lugar na categoria “Crônicas/Adultos” do “1º Concurso Literário Maria Firmina dos Reis: a visibilidade da mulher pela janela literária”.

 

Promovido pela Coordenadoria Estadual da Mulher do Tribunal de Justiça do Maranhão (CEMULHER/TJMA), em celebração de uma década de atuação, o concurso literário premiou 9 adultos e 9 adolescentes nas modalidades crônicas, contos e poemas, na noite de sexta-feira, 13 de agosto, na sede da Associação dos Magistrados do Maranhão. Mais de oitocentos candidatos concorreram à honraria.

 

A crônica do jornalista Augusto, “Maria Firmina em nossos dias”, irá integrar um e-book a ser publicado pela CEMULHER/TJMA em parceria com a Escola de Magistratura do Maranhão e a Academia Maranhense de Letras. “A crônica premiada tenta refletir como seria percepção da autora, se viva fosse nos dias de hoje, sobre a situação da mulher, em especial da mulher negra, e o agravamento da violência que sofre na sociedade e no ambiente doméstico”, aponta jornalista lotado na Assessoria de Comunicação do IFMA, em São Luís.

Clique no link, para ler a crônica.

 

CEMULHER E VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Instituída em 2 de agosto de 2011, a CEMULHER é um órgão permanente de assessoria da presidência do TJMA que atende todo o estado do Maranhão, oferecendo um conjunto de ferramentas de proteção às mulheres e de enfrentamento à violência doméstica e familiar.

De acordo a CEMULHER, o Poder Judiciário do Maranhão recebeu 82.588 pedidos de medidas protetivas de urgência, desde o ano de 2006 até o dia 27 de julho de 2021. Desse universo, no período de 2017 a 2021 (julho), ingressaram 53.628 pedidos na Justiça. Desse total, foram concedidas 46.311 medidas protetiva. Só neste ano, o Poder Judiciário estadual já recebeu 7.901 pedidos de medidas protetivas de urgência, até o dia 27 de julho.

Em relação a crimes de feminicídio (homicídio de mulheres com base em violência doméstica ou discriminação de gênero), foram 48 casos registrados em 2019; 60 em 2020; e 28 neste ano.

“Observo com apreensão, se não angústia, o fato de a humanidade ter chegado ao terceiro milênio e não ter superado tantos dilemas arraigados desde a antiguidade como o machismo, racismo e preconceitos os mais diversos, desigualdade social em níveis alarmantes”, observa o premiado. “Por outro lado, vejo com otimismo que a juventude tem tido outros olhares sobre essas questões, principalmente no que diz respeito a comportamentos, e parece não estar disposta a aceitar padrões sociais impostos pelas gerações anteriores”, complementa. “Não deixam de ser as sementes plantadas por Maria Firmina dos Reis e outras personalidades libertárias da história”, avalia.

 

MARIA FIRMINA DOS REIS

O Concurso Literário prestou homenagem à escritora maranhense Maria Firmina dos Reis, professora, musicista, criadora da primeira escola mista do Brasil e considerada a primeira romancista negra do Brasil.

Ludovicense nascida em 11 de março de 1822 – data que hoje é considerada o Dia da Mulher Maranhense em sua homenagem -, a escritora é autora da obra “Úrsula” (1859), primeiro romance publicado por uma mulher negra em toda a América Latina e primeiro romance abolicionista de autoria feminina da língua portuguesa. Também é autora de “Gupeva” (1861), narrativa de temática indianista publicada em capítulos pela imprensa local; e “A escrava”, de 1887, texto inserido no contexto da abolição do regime escravocrata; entre outras obras.

“Independentemente de ter sido premiado, considero a iniciativa do TJMA exemplar, por ter estimulado a produção artística (no caso, a literatura) dos moradores do estado como meio de debater um assunto que de forma alguma pode ser negligenciado”, afirma Augusto que tem o jornal cearense “O Povo” e o maranhense “O Imparcial” em sua trajetória profissional. “Outras instituições deveriam inspirar-se e promover concursos similares, levantando outras questões como racismo e desigualdade social, com estímulo para outras linguagens como música, teatro e artes visuais”, complementa

 

SOBRE O AUGUSTO AUTOR

Nascimento coleciona vitórias. A primeira ocorreu ainda na adolescência, com o conto “Revolução” premiado no Festival de Cultura da Universidade Federal do Ceará. Depois vieram crônicas e contos em antologias independentes ou patrocinadas por instituições de Fortaleza.

 

Participou de um movimento cultural independente chamado Pindaíba, com um grupo de artistas cearenses, que já lançou diversas edições da revista homônima (a primeira em 2003 e a próxima em processo de edição). O grupo organizou eventos artísticos em Fortaleza e outras cidades (inclusive um lançamento em São Luís, em 2009).

 

“O contista e cronista Drummond, muito mais que o poeta, foi a minha grande motivação para eu me aventurar a criar estórias, na adolescência”, revela Augusto Nascimento. “Minha conterrânea Rachel de Queiroz também foi uma influência, Dostoiévski, Oscar Wilde, Sartre, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Érico Veríssimo e Manuel Bandeira, para mencionar os de maior peso”, complementa. “Estou ávido para conhecer mais a literatura da americana Toni Morrison e da maranhense Maria Firmina dos Reis”, prossegue.

 

Em tempos de pandemia, ler, assistir a filmes e séries, brincar com os seus filhos e manter contato com pessoas distantes têm sido os seu hábitos mais corriqueiros. “Depois da segunda dose da vacina, me permiti aumentar os contatos ‘ao vivo’, naturalmente com as precauções necessárias”, menciona.

 

“Eu gosto principalmente de estar com as pessoas, em encontros presenciais ou virtuais, de conhecer histórias de vidas e pontos de vista diversos, de crianças a idosos, de todas as origens”, sintetiza. “Acho que os humanos têm se entregado demais aos aparatos tecnológicos e perdido um pouco a noção de partilha, de convivência e encontro”, critica. “Já dizia Vinicius de Moraes que ‘a vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida’, finaliza.

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