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Grupo de estudos do Campus Pedreiras publica série sobre gênero

  • Augusto do Nascimento
  • publicado 09/12/2021 11h33
  • última modificação 09/12/2021 11h36

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Desenvolver pesquisas e atividades na área de Estudos de Gênero, e funcionar como espaço de interlocução acadêmica entre alunos, pesquisadores da área, outras instituições e interessados na realização de pesquisas sobre o tema. Esta á a proposta do Laboratório de Estudos de Gênero IFMA Campus Pedreiras (LEGIP), criado como projeto de extensão, associado às dimensões do ensino e pesquisa, de iniciativa do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI local). Este ano, o LEGIP lançou uma série de publicações (ver abaixo) com o resultado do trabalho de investigação empreendido pelos integrantes.

O LEGIP propõem ainda a construção de parcerias com outros órgãos regionais e nacionais, visando a desenvolver projetos de ensino, pesquisas e extensão relacionados aos estudos de família, relações e violências de gênero, sexualidade, corpo, patriarcalismo, homofobia, machismo, heteronormatividade, além da moderna teoria Queer. O Laboratório opera diretamente em redes sociais, promovendo campanhas nas temáticas e divulgando resultados de pesquisas. Academicamente, atua em congressos, seminários, encontros, reuniões científicas, além de incentivar a popularização e publicação dos trabalhos realizados..

De acordo com a professora (História) Nila Michele Bastos Santos, que concebeu e coordena o LEGIP, a criação do Laboratório ocorreu a partir do Edital Geração Ciência, da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), em 2018. O projeto contemplava ações de pesquisa, com a participação de quatro estudantes bolsistas (atualmente já formados) investigando os temas propostos (diversidade, gênero, violência e relações étnicas). Quanto às ações de extensão, financiadas por meio de projeto aprovado pela Pró-reitoria de Extensão (PROEXT), envolveram a produção e impressão (com registro de ISBN, sigla em inglês usada para a numeração bibliográfica padrão internacional) de materiais didáticos (cartilha, fanzine, álbuns, cards, um mapa da violência, e um livro, sendo este último apenas em formato de e-book) sobre o resultado do trabalho de pesquisa, com vistas a divulgar e estender o conhecimento produzido pelo grupo. Segundo a coordenadora, o grupo planeja a distribuição do material impresso e em pendrive (a distribuição virtual já se realizou) nas escolas de Pedreiras. Por conta da pandemia da COVID-19, as atividades presenciais do LEGIP foram suspensas, e atualmente funcionam virtualmente.

“O Laboratório surge como espaço claro e aberto para debates que valorizem a diversidade. Sabemos que historicamente a sociedade é machista, patriarcalista, homofóbica, violenta, e separa de forma desigual papeis sociais de homens e mulheres, e coloca principalmente para as mulheres um papel de submissão e incapacidade de se gerir sozinha”, argumentou Nila Santos. Segundo ela, essa percepção de incapacidade se desdobra em diversas violências que hoje chamamos “violência de gênero”, não só contra a mulher, mas contra todos aqueles que divergem do padrão patriarcal. A coordenadora considera que essas relações de violência precisam ser debatidas, para serem compreendidas não apenas no binômio masculino-feminino, homem-mulher, mas em uma perspectiva ampla de relações de poder, nas quais um grupo subjuga outro de acordo com suas necessidades, baseando-se em um discurso normatizador presente na sociedade e que se reflete na educação básica.

Reuniões com participantes do grupo

(Imagens anteriores à pandemia da COVID-19)

A historiadora observa que esse fortalecimento do discurso de diminuição e inferiorização de quem é diferente acaba levando uma série de alunos a esconder sua identidade, e contribui para depressões, suicídio e até mesmo bullying. “Na ânsia de rejeitar sua identidade, há aqueles que praticam atos violentos contra outros que lembram o que ele não pode ser”, reflete a coordenadora do LEGIP, defendendo que o debate aberto e claro sobre essas questões não pode ser contido. Ao contrário, precisa ser ampliado e propagado, da forma como o Laboratório debate pautando-se nos fundamentos de referenciais teóricos, o primeiro passo para a compreensão desses fenômenos, para o combate ao preconceito e valorização da diversidade. Outro ponto importante que se trabalha no Laboratório é o combate à violência contra a mulher. Nila Santos informa que, nessa questão, a cidade de Pedreiras registra um dos índices mais altos do Maranhão, como uma média de homicídios na cidade de 4,86 óbitos para cada grupo de 100 mil habitantes, superior à média nacional (4,17).

“Analisar esses dados, aliados com outros estudos históricos, sociológicos, filosóficos sobre a violência, inclusive de gênero, nos ajuda a compreender as raízes dos problemas, para buscarmos saná-los”, explica a professora, refletindo que a criação do LEGIP se justifica como parte fundamental das discussões de gênero na região, pela importância de se compreender a formação de uma sociedade extremamente hierarquizada, machista, patriarcalista, misógina e homofóbica. E, principalmente, entender como a permanência desses padrões é transmitida de geração a geração, e como influenciam os costumes tradicionais de preconceito em nossa contemporaneidade. “Sem debate, não há mudanças, e sem mudanças não acabamos preconceitos”, resume a educadora.

Sobre os desafios com que o IFMA depara nessa questão, Nila Santos observa que, principalmente a partir de um grupo de professoras e funcionárias que lutam contra o assédio, a misoginia e o patriarcalismo, que existem institucionalmente, percebe-se hoje que o Instituto tenta avançar, e recentemente algumas conquistas foram alcançadas, fosse pela demissão de abusadores e assediadores, ou pela busca de mais compreensão, abertura e lisura nos processos. Mas ela observa que ainda existem muitos desafios. “A instituição é feita por pessoas, e as pessoas são influenciadas pela sociedade, e uma sociedade machista, misógina e homofóbica não se dissipa de uma hora para outra. Mesmo que legalmente tenhamos abertura, ainda encontramos muitos entraves quase que pessoais. Há indivíduos, colegas de trabalho e servidores, que acreditam que esse tipo de trabalho é besteira, ideologia para concepções de subverter a sociedade e a ordem. Vivemos um momento extremamente tenebroso de ataques à diversidade, e no próprio Instituto temos pessoas que defendem governos autoritários, submissões de discussões”, diz a professora, refletindo que esse cenário é um dos principais entraves para a propagação de projetos como o do Laboratório.

No entanto, a professora argumento que esses desafios ao mesmo tempo impelem o grupo a continuar debatendo e a mostrar a diversidade e a ciência por trás de discursos e de ações. “Porque não existem essas concepções de ideologia de gênero, que foi algo inventado para mascarar o que existe”, diz Nila Santos, afirmando que se trata de debates e discussões acerca das transformações sociais e das relações de poder, sendo necessário o entendimento de que os discursos de gênero são pautados em relações de poder. “Se não entendermos que há um grupo que quer dominar o outro, e por conta disso cria inferiorizações, então não conseguimos avançar”, diz ela, apontando para a necessidade de que os aspectos institucionais e legais sejam realmente praticados, e colocados como a lei determina. A professora observa que pensamentos individuais não podem atrapalhar o rendimento da educação ou o debate em prol da ciência, sendo o maior desafio justamente manter os espaços assegurados por lei, os quais chegam a ser desacreditados por alguns indivíduos.

 

Conheça as obras (links nos títulos):

 

O Livro do LEGIP: Laboratório de Estudos de Gênero IFMA Pedreiras

Publicado em 13/10/2021

Coletânea que é resultado acadêmico das primeiras pesquisas realizadas no Laboratório e financiadas pelo Edital FAPEMA Geração Ciência. Seus principais autores são alunos e alunas do ensino médio técnico integrado do IFMA Campus Pedreiras e os artigos que compõem a obra estão relacionados aos estudos de família, relações e violências de gênero, sexualidade, corpo, patriarcalismo, homofobia, machismo, heteronormatividade e teoria Queer. O objetivo é usar uma linguagem simples e de fácil apreensão para alcançar estudantes de educação básica e proporcionar através da linguagem acessível e contemporânea o debate de temas considerados delicados por muitos, mas imprescindíveis para a construção de um mundo livre de preconceitos e discriminações.

 

Corpo, Feminismo, Queer e outras Teorias

Publicado em 06/10/2021

“Caderno de desenhos” resultado da compilação dos cards confeccionados como produto didático do projeto de pesquisa aprovado pela FAPEMA. O projeto se propôs a estudar as atuais teorias Queer e suas influências nos atuais movimentos sociais, demonstrar a diversidade do movimento feminista ao longo da história e compreender o corpo como categoria que vai além dos aspectos sexuais que lhe é atribuído. De maneira interdisciplinar, ele se associou às artes, uma vez que, paralelamente à pesquisa bibliográfica sobre a temática, buscou-se desenhar cards que ilustrassem o que foi lido. A metodologia foi escolhida por causa da ideia de que as artes são um dos mecanismos mais promissores na luta e no combate aos preconceitos.

 

 


Gênero, Raça, Classe e Poder: pra que é que serve, afinal?

Publicado em 06/10/2021

O Fanzine provém do projeto de pesquisa intitulado como “Gênero, Raça, Classe e Poder”, o qual busca compreender e articular as perspectivas de gênero, raça e classe social no estudo dos preconceitos historicamente construídos e reafirmados na sociedade brasileira por meio das relações de poder. Para ampliar o debate, o grupo valeu-se da estética marginal do fanzine e confeccionou um produto lúdico em que associam texto e imagens, para ser distribuído na comunidade escolar e extraescolar. O Laboratório acredita que projetos como este na educação básica ajudam para a percepção mais clara como a sociedade brasileira se comporta, possibilitando então, questionar sobre o porquê dos diversos preconceitos manifestados e a falta de políticas públicas para o combate destes.

 

 

 

O que é que é? Gênero, Patriarcalismo, Heteronormatividade

Publicado em 06/10/2021

Cartilha que é o produto didático resultante do projeto de pesquisa intitulado como “Patriarcalismo, Heteronormatividade e Diversidade Sexual”. A ideia é apresentar, de maneira clara e lúdica, através da cartilha, os conceitos básicos para os estudos de gênero. O objetivo não é para os conceitos sejam decorados ou se tornem objeto para avaliações, pois o que se deseja é promover debates que visem a desconstruir ideias preconceituosas que levam ao sofrimento físico e mental de tantos.

 

 

 

 

 

MAPA DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO 2020

Publicado em 06/10/2021

Produto didático que resultou do projeto de pesquisa “Violências de Gêneros”, que teve como objetivo analisar as teorias de gênero, bem como identificar, relacionar e caracterizar as violências de gêneros. Como metodologia, optou-se pela pesquisa bibliográfica. Sabe-se que as violências de gêneros se apresentam de diferentes maneiras, podendo ser de natureza física, verbal, moral, sexual, econômica ou financeira e tantos outros tipos, ignorados ou justificados pela cultura machista e patriarcal. A partir dos dados coletados e das análises feitas confeccionou-se este “mapa da violência”, na ideia de apresentar, de maneira clara e lúdica, o que é, como se manifesta e os tipos em que se apresentam as violências de gênero. Além disso, discute-se a relação entre os agressores e as vítimas, bem como o que fazer e a quem recorrer em caso de sofrer essa categoria de violência.

 

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