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Estudante do IFMA Timon identifica novo asteroide em programa da NASA

Ivna Lohana (19), do curso de Biologia, receberá premiação do coordenador do programa Caça-Asteroides, astrônomo Patrick Miller, da Hardin-Simmons University
  • Cláudio Moraes. Fotos da pesquisadora.
  • publicado 29/09/2022 17h08
  • última modificação 01/12/2022 16h30

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Quem não lembra do filme “Não olhe para cima” ? A sátira política foi lançada no final do ano passado, com as estrelas Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence. Eles descobriram um cometa em rota de colisão direta com a Terra, mas, durante seis meses, ninguém lhes deu atenção….

 

Pois esse monitoramento pela NASA, em tempo real, existe e é conhecido, popularmente, como Caça-Asteroides. Ele é desenvolvido, desde o ano passado, por meio do International Astronomical Search Collaboration e, no Brasil, conta com a parceria do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. 

 

Considerado um instrumento de ciência cidadã, o programa fornece dados astronômicos de alta qualidade a pessoas de todo o mundo, o que lhes possibilita fazer descobertas originais e participar da astronomia prática, de forma gratuita.

 

 

Campanhas mensais com a participação de equipes são realizadas tendo a busca de asteroides como foco principal da iniciativa. Pois foi assim, pela paixão por Astronomia, que a estudante de Licenciatura em Biologia do Instituto Federal do Maranhão – Campus Timon, Ivna Lohana, 19 anos, ingressou nesse seleto grupo da NASA. Ela identificou um asteroide, denominado, provisoriamente, de ILN0011 que, agora, está sendo analisado pelo laboratório de Harvard e, posteriormente, a estudante do IFMA  poderá “batizar” o corpo celeste com nome derivado de suas avós materna e paterna, como deseja.

A NASA lançou uma campanha, entre os meses de julho e agosto deste ano, e Ivna conquistou o seu espaço como líder da equipe MURPHY (nome escolhido em homenagem à filha do personagem principal do filme “Interestelar” – ficção científica de 2014). A sua equipe é formada, ainda, por Ana Beatriz (SP) – segunda foto no topo à esquerda -, Marina Pasqualetti (SP), Alice Pasqualetti (SP), Aline Zardo (SC), Luís Fernando (MS), Júlia (SP), Juliana (PR), Vitória Erlym (Imperatriz/MA) e Matheus (SP).

A estudante em sua atividade de caça-asteroides em Timon

Ela explica que as análises dos possíveis Asteroides são feitas individualmente,  por meio de um software chamado Astrometrica, no qual recebe imagens diretas do espaço-profundo. Elas são transmitidas por um enorme telescópio de 1.8 metros pertencente à Universidade do Havaí. A estudante identificou um asteroide e a sua colega de equipe Ana Beatriz identificou outro. Foram quatro, no total, identificados pela equipe que ela lidera.

 

As duas caçadoras irão receber as suas premiações juntamente com outras duas melhores equipes que acharam asteroides, em Brasília, no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, durante a Semana Nacional de Ciência, Tecnologia, entre 28 de novembro e 3 de dezembro. Elas receberão prêmio das mãos de Patrick Miller, matemático e astrônomo da Universidade de Hardin-Simmons dos Estados Unidos e coordenador do programa Caça-Asteroides da Nasa, ao lado do presidente da Agência Espacial Brasileira, Carlos Moura e do Ministro da Ciência e Tecnologia, Paulo Alvim.

Para Ivna, a sua conquista na Nasa foi mais uma prova de que pode realizar qualquer sonho e que nada é impossível. Ela abriu portas para a Astronomia, área pela qual tem muita afeição desde muito pequena. Ela aponta ainda que o feito a fez perceber, também, o quanto há de falta de informação por parte das pessoas. Em sua avaliação, muitas não tiveram oportunidades de estudar e  saber o que é um asteroide, muitas não se interessam pelo universo, mas também há falta de estímulo e de investimento na educação.

Ela afirma que pretende, com essa conquista, conscientizar mais sobre a ciência. Em conjunto com a sua amiga Ana Beatriz, pretende montar um grupo que viabilize oportunidades de campanhas desse tipo, como olimpíadas, para inserir desde crianças até idosos. Ela deseja, ainda, escrever um livro sobre Astronomia em linguagem acessível.

 

A influência do IFMA

 

Ivna Lohana tem paixão pela ciência e pelo universo, desde criança, com a sua mente “lunar”, o seu sonho, desde pequena, em ter um telescópio para poder admirar a visão noturna, a lua, planetas, nebulosas, cometas e muitos outros corpos estelares.

Ela afirma que o IFMA a influenciou nessa conquista, por lhe apresentar a ciência. Ela cita o professor Rawlinson Ibiapina que me marcou profundamente e por quem tem muita gratidão, por ter-lhe feito apreciar o mundo da Física e o universo astronômico.

 

A caçadora de asteroides também cita professores que lhe proporcionaram inúmeras oportunidades para a ciência, como Rawlinson, Sâmia, Laura, Irisnete, Pitombeira, Wilmara, João Batista (Ensino Médio), Diego, Wilmara, Nojoza, Odaleia, Caroline, George, Bezerra, Sâmia (Ensino Superior).

 

Como estudante do curso de Licenciatura em Biologia do IFMA Campus Timon, Ivna consegue observar uma relação dessa área de conhecimento com os asteroides. Segundo ela, esses corpos celestes são essenciais para o estudo da formação da Terra e das possíveis consequências caso venham a colidir novamente com o planeta. Foram importantes para o surgimento de moléculas que, com o tempo, deram origem à vida. Ela afirma, ainda, que o estudo é importante tanto para o passado quanto para o futuro, para analisar novas formas de vidas a partir dos resquícios de fragmentos deixados por um corpo vindo do espaço para a Terra.

 

Ela escolheu a área da Biologia já aos 13 anos de idade, por estímulo de uma professora que falava de sua paixão pela Biologia Marinha. Após pesquisar sobre o assunto, decidiu-se pela área. Ela escolheu a licenciatura pelo prazer de ensinar e educar. Ela afirma que a sua atuação como professora será de forma que o aluno compreenda o conteúdo com palavras acessíveis, na prática, com respeito, humanidade e empatia em relação aos possíveis problemas que o estudante enfrenta.

 

Saiba mais sobre Ivna Lohana

Ivna ministra aulas particulares de Biologia, com conteúdo do 7° ao 3° ano do ensino Médio/pré-Enem, além de Bioestatística para estudantes da graduação.

A estudante do IFMA também coordena o projeto “Livro em Movimento”, por meio do qual promove a leitura e o desapego, incentivando o acesso à leitura. O propósito é congregar jovens para emprestar livros que estejam guardados, dando, assim, a oportunidade de repassar os conhecimentos obtidos para outros. O projeto funciona por meio de um um link em aplicativo de mensagens instantâneas, que organiza o acervo e os contatos dos detentores dos livros. Segundo ela, é fundamental derrubar o tabu de que o livro é algo para ser guardado, pois milhares de pessoas no Brasil sofrem por não ter um acesso ao conhecimento, com dificuldades no ensino de aprendizagem pela ausência dos livros.

 

Reflexiva acerca dos verdadeiros princípios a seguir na vida, das atitudes pessoais e conceitos, é apreciadora das coisas simples, como o nascer e pôr do sol, as inúmeras fases da lua, as estrelas, a bondade, a pureza, o cuidado, os mínimos detalhes, o respirar e o estar vivo. É apaixonada pela vida, pois, segundo ela, não há algo mais lindo do que acordar, poder respirar, beber água, mover-se, ter saúde, mesmo com as dificuldades da vida. Ela também aprecia a verdadeira empatia, aqueles que se injetam de amor, que buscam sempre ajudar o próximo e não é adepta de ganhar likes na internet.

 

Com um desejo incessante, desde pequena, pela leitura, por desenhar, escrever, Ivna ama ler livros – uma terapia diária que a faz viajar para lugares diferentes, com culturas, comidas e pensamentos diferentes. Ela considera os livros como janelas para libertar as pessoas para o conhecimento. O gosto pela literatura é eclético: gênero científico (como “Cosmos” e “Pálido Ponto Azul”, de Carl Sagan), romances do século XIX como “Helena”, de Machado de Assis, e suspense policial, dentre muitos outros.

Ama jogar xadrez, filmes de ficção científica, tendo como preferidos “Interestelar”, “Projeto Almanaque”, “A Teoria de Tudo” (filme baseado na história do físico Stephen Hawking), “Código da Vinci” e “O Contador”.

 

Seu gosto musical é das antigas como Frank Sinatra, Paul Anka, Whitney Houston, Aretha Franklin, Louis Armstrong, Mozart, Beethoven, Jazz, Blues e Country. Ela afirma que essa música chama a sua atenção, pela letra, toque, pela voz e pelos estímulos que lhe causam, além se deter em inúmeros outros hobbies, como diferentes formas de se desconectar, de certa forma, das muitas notícias do mundo.

 

Trajetória até chegar à graduação

 

O seu desenvolvimento escolar sempre foi algo meio inconstante, segundo ela. Ivna sempre gostou das coisas não padronizadas. Muitas vezes o ambiente escolar não a estimulava muito, pelo método de ensino cansativo. Mas, ainda assim, tinha prazer pela Biologia, algumas áreas da Física e Química. Ela avalia negativamente alguns professores que não procuravam estimular o aluno, mas que tão somente trabalhavam com muitas atividades para o cumprimento da carga horária, sem preocupação efetiva com a aprendizagem, o despertar da curiosidade.

 

Sempre muito curiosa, sempre gostou de aprender tudo, de humanas a exatas. Estudou em escolas públicas e privadas e critica o preconceito com a escola pública. Segundo ela narra, estudou em duas públicas. Ela aponta a escola municipal Nazaré Rodrigues, em Timon, que incentivava os estudantes com jogos como xadrez [ela foi enxadrista], muitos campeonatos e saraus. Foi lá que ela escreveu o seu poema, com a sua rotina diária na biblioteca. Ivna também cita a  Colégio Duque de Caxias, com seus professores incríveis, como Marciana (Artes), Diego (História), Silvanildes (Geografia) e André (Português). A caçadora de asteroides também estudou na Escolinha Disneylândia e no Colégio Cristo Rei.

 

Futuro e metas

 

Ivna deseja cursar mestrado em Biologia Marinha e se especializar, também, em Astrobiologia –  área que mescla Biologia com Astronomia. Esse campo científico estuda as origens, evolução inicial, distribuição e futuro da vida no universo, a questão da vida extraterrestre e como detectá-la.

 

A pesquisadora com sua avó Rosa que será eternizada no asteroide

 

A Genética também está em seus planos. Ela pondera que a sua avó Luíza Monteiro faleceu de câncer no intestino e ela prometeu, a si mesma, que estudaria Genética para obter ganhos para a ciência no tratamento do câncer.  Pretende, ainda, prestar concurso para Perícia Criminal e trabalhar na área da Biologia Forense. Ela pretende, ainda, concluir outro curso de graduação – Engenharia Ambiental e Sanitária – e cursar mestrado em Engenharia de Materiais, em busca de novos materiais sustentáveis para trabalhar com a recuperação de áreas degradadas.

Que essa história possa inspirar muitas vidas !!!!!

Ivna obteve novo certificado da Nasa: de defensora planetária, de acordo com a nova missão da NASA – o DART (Double Asteroid Redirect Mission) aeroespaçonave projetada para impactar um asteroide como um teste de tecnologia e que alcançou o seu objetivo na segunda-feira (26/09), ao impactar diretamente Dimorphos, a pequena lua de Didymos, um alvo de 160 metros de diâmetro, a 11 milhões de quilômetros da Terra.

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