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XII Seminário da Consciência Negra do IFMA é realizado no Campus Grajaú

Evento aconteceu entre os dias 21 e 23 de novembro, concomitantemente ao Universo IFMA e ao Encontro de Arte do IFMA.
  • Assessoria de Comunicação
  • publicado 23/11/2022 11h43
  • última modificação 10/01/2023 14h37

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Com o tema: Interseccionalidade de lutas, foi realizado entre os dias 21 e 23 de novembro, concomitantemente à programação do Universo IFMA e da Encontro de Arte do IFMA, o XII Seminário da Consciência negra do Instituto Federal do Maranhão, no Campus Grajaú. A solenidade de abertura dos três eventos foi realizada conjuntamente na manhã do dia 21, no auditório do campus. O seminário tem como objetivo promover reflexões e outras ações sobre identidade, racismo e desigualdade social dentro e fora do ambiente escolar.

A programação contou com rodas de diálogos, relatos de vivências nas diversidades, conferências, comunicações orais, oficinas temáticas, minicursos, seminários, feira gastronômica e atividades sequenciadas e concomitantes (Atrações Culturais: Danças e Músicas (samba, hip hop, reggae e tambor de crioula). O evento é organizado pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indiodescendentes (Neabi) do IFMA, com o apoio do Departamento de Direitos Humanos e Inclusão social e dos Neabis locais.

Na solenidade de abertura, em seu discurso, o diretor do Departamento de Direitos humanos e Inclusão Social do IFMA, João Batista Botelho, citou importantes marcos históricos na luta dos movimentos negros e indígenas para transmitir a história das culturas afro-brasileira e indígena, regulamentadas por lei no ano de 2003. “Resgatamos esses importantes marcos históricos para reforçar durante o nosso seminário a continuidade do combate à discriminação étnico racial na sociedade”, destacou. “Como nos demais anos, o Seminário da Consciência Negra do IFMA é o coroamento das atividades desenvolvidas nos campi relativas à questão étnico racial. Esse ano tivemos a excepcionalidade de inclusão com o universo IFMA, que teve como positivo a possibilidade de diálogo com as demais atividades desenvolvidas no instituto, caindo bem a calhar com o tema deste ano, tornando-se uma Interseccionalidade de lutas envolvendo todas as esferas do instituto”, afirmou.

Em sua fala na solenidade de abertura, o coordenador do Neabi do Campus Maracanã, Herliton Rodrigues Nunes, enfatizou a preocupação que a instituição tem com a formação dos estudantes. “Falar de diversidade é caminhar nos diversos processos formativos e de luta que a educação pública é responsável. Precisamos fazer esse processo de educação ser libertador, combatendo a intolerância e o racismo”, afirmou.

Atividades

A parte da programação referente aos Relatos de Vivências nas Diversidades no Instituto Federal do Maranhão (IFMA) teve por objetivo oportunizar à comunidade acadêmica (discentes, docentes, técnicos educacionais e terceirizados) do IFMA um espaço para narrar, expressar e materializar experiências do cotidiano em suas diversidades (raça, etnia, gênero, sexualidade, religiosidade, deficiência e outras), ou seja, de grupos sociais não hegemônicos, no ambiente acadêmico do IFMA.

Como nem sempre vozes diversas são escutadas, mesmo quando estão gritando a plenos pulmões, os Relatos de Vivências nas Diversidades buscaram, durante o Seminário da Consciência Negra, ouvir e acolher essas. Segundo a professora Simone Silva, coordenadora do Neabi local do Campus Grajaú, a feira de gastronomia afro brasileira e africana teve a participação dos alunos do Campus Grajaú e “teve como objetivo discutir a influência da história e cultura africana na  culinária brasileira, trazendo também a discussão sobre a agricultura familiar e de comunidades tradicionais e sua importância na produção de alimentos no Brasil”, explicou Simone. 

O aluno Luan, do curso técnico de Agropecuária do Campus Grajaú, conta que “foi uma atividade bem importante por trazer conhecimento sobre as várias comidas africanas trazidas aqui para o Brasil, que são muito consumidas. Vários alunos e servidores de vários campi e da comunidade externa puderam descobrir as origens desses alimentos que muitos comem frequentemente”, relata Luan. Paulo Ricardo Paz, do curso técnico em edificações do Campus Grajaú, participou da feira gastronômica, com a temática “quebradeiras de coco”. “É um tema muito importante de ser trabalhado porque este é um povo nativo brasileiro que veio ser reconhecido somente em 2007. As quebradeiras de coco tem que ser valorizadas, trazendo suas formas, alimentos clássicos, sua cultura, são importantes povos na preservação da natureza e fazem parte da nossa história Só passei a conhecer e estudar esse tema no IFMA, pois não é trabalhado no ensino fundamental. 

Raimunda Fernandes, quebradeira de coco, moradora do povoado São Félix e integrante do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), esteve presente no Seminário da Consciência Negra e interagiu com os alunos durante a apresentação. “Ela gostou tanto da nossa apresentação que cantou pra gente. Falou do cotidiano dela e contou que lá onde ela trabalha não tem ninguém ou nenhuma cerca que impeça ela de pegar o coco. Ela demonstra o empoderamento dela, reconhece sua identidade”, detalha Paulo Ricardo.

A professora Arlindyane Santos da Silveira, que ministrou o minicurso de afrofuturismo, explica que “o minicurso é uma importante ferramenta na perspectiva antirracista. É pensar a história, as experiências de pessoas negras ligadas à perspectiva de futuro, de realismo fantástico ligada a ficção científica e a uma ancestralidade numa perspectiva positiva. Não pensar ao povo negro ligado apenas à escravidão, ao racismo, à colonização e subalternidade. Isso é muito importante para toda essa região do centro maranhense porque há muitas pessoas que se sentem deslocadas da sua própria ancestralidade”, justifica.

Participando das atividades do Seminário da Consciência Negra do IFMA, a professora e coordenadora da educação de jovens e adultos do município de Grajaú, Sofia dos Santos Araújo declarou ser quilombola da comunidade Santo Antônio dos Pretos e “passamos aqui uma tarde grandiosa, onde tratamos de minha nacionalidade, minha cor, nossa consciência negra. Na minha comunidade já nascíamos com um marido pré-definido. Mas eu lutei para quebrar essa tradição. Decidi ser mãe solteira, tenho sete filhos, mas nunca quis ter um marido. Para a sociedade me aceitar desta forma, não foi fácil, fecharam muitas portas por eu ser mulher preta, mãe solteira. Para ser respeitada, precisei vencer diversas lutas, enquanto tivermos a garra de lutar, não devemos desistir. Por isso que o dia 20 de novembro é para que o meu direito e o seu direito sejam iguais para nós dois. Somos o que somos, independente do que alguém fala. Saio daqui feliz da vida porque participei de rodas de conversa que falam da minha realidade, do meu viver, do meu dia a dia”, confidenciou Sofia.

Confira  oque rolou na programação do seminário

Roda de Conversa 1: Interseccionalidade de lutas

Roda de Conversa 2: Respeito e Diversidade Religiosa: em busca de uma educação antirracista . 

Conferência – Diversidade: a escola como reflexo da sociedade

Oficinas ofertadas:

A trajetória do tambor IFMARACRIOULA no Campus Maracanã.  (Maria do Socorro Coelho Botelho/ IFMA Maracanã).

Oficina de Fotografia: beleza negra a influência estética identitária histórica da mulher negra, uma viagem através da fotografia. (Adriana Araújo/IFMA Maracanã)

Oficina de Turbante, Pintura e Tranças afro, o empoderamento da mulher negra, a luta contra o racismo. (Adriana Araújo/IFMA Maracanã)

Intercâmbio Linguístico Tronco Macro Jê e Língua Portuguesa – oficina de pintura (Maria do Socorro Coelho Botelho/ IFMA Maracanã)

Minicursos

Afrofuturismo: protagonismo negro a partir do cinema, da música e das histórias em quadrinhos (Arlindyane Santos da Silveira/IFMA Barra do Corda)

Construção de cartilhas de combate ao racismo, à lgbtfobia e à violência de gênero no âmbito escolar(Pablo Gomes/IFMA Grajaú)

Língua e Discurso: racismo linguístico em pauta. (Claudio José Braga Rocha/IFMA Barra do Corda)

Quando o canto é reza: tecnologias ancestrais de promoção da saúde (Roberta Pinheiro/SEDUC-MA)

O papel do branco na luta antirracista. (Isabela Cristina Torres e Silva/ IFMA Grajaú)

Trabalhos aprovados apresentados

A política de cotas para ingresso nas instituições de ensino: percepção dos alunos e reflexões. (Karém Lorhanny Costa Rodrigues de Sousa, estudante do IFMA São João dos Patos)

Análise de como a história e cultura afro-brasileira são abordadas nos livros didáticos de humanidades do novo ensino médio (Michele Oliveira de Sousa, estudante do IFMA Campus Presidente Dutra)

Diversidade de gênero: urgência para ser estudada na escola. (Camille Eduarda Soares Menezes Oliveira, Campus São Luís – Maracanã)

Minicurso de afrofuturismo é uma importante ferramenta na perspectiva anterracista. É pensar a história, as experiências de pessoas negras ligadas à perspectiva de futuro, de realismo fantástico ligada a ficção científica e a uma ancestralidade numa perspectiva positiva. Não pensar ao povo negro ligado apenas à escravidão,ao racismo, à colonização e subalternidade. Isso é muito importante para toda essa região do centro maranhense porquehá muitas pessoas que se sentem deslocadas da sua própria ancestralidade”, explica.

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